PERFIL ÉTNICO DAS INTERNAÇÕES E ÓBITOS POR EMBOLIA E TROMBOSE ARTERIAL NO SUDESTE DE 2020 A 2024
A trombose arterial consiste em tampões formados na circulação a partir de constituintes do sangue e a embolia é definida por uma obstrução de um vaso pela migração de um corpo estranho. As doenças cardiovasculares são mais prevalentes em indivíduos idosos, etnia branca, gênero masculino, obesos, tabagistas e indivíduos com comorbidades, como hipertensão, hipercolesterolemia, diabetes e aterosclerose. Avaliar a epidemiologia das internações e óbitos por etnia causados por embolia e trombose arterial no sudeste do Brasil no período de 2020 a 2024. Estudo transversal, descritivo e quantitativo, coleta de dados no Departamento de Informações do SUS, sobre as notificações de internações e óbitos por etnia pela trombose e embolia arterial de 2020 a 2024 na região sudeste. Os dados foram organizados utilizado o Excel, os quais foram analisados por estatística descritiva. No período de 2020 a 2024, o número de pessoas internadas por trombose e embolia arterial nos estados do Sudeste foi de 55.617, deste total 4615 evoluíram para óbito, diante a esses dados, avaliou-se o padrão etnico apresentado. A população parda apresentou o maior número de internações, exceto em São Paulo, onde a população branca foi predominante, o que elevou os números gerais do estado, tornando essa etnia a mais afetada regionalmente. Quanto aos óbitos, a população branca concentrou a maior quantidade. O povo pardo ocupa a segunda posição, com destaque para Minas Gerais e São Paulo. A população negra, embora apresente número menor de óbitos em comparação às duas primeiras, ainda representa parcela importante. As populações amarela, indígena e as registradas como “sem informação” apresentaram as menores taxas. São Paulo lidera em todas as categorias étnicas, seguido por Minas Gerais e Rio de Janeiro, que apresentam valores semelhantes, com ligeira predominância de óbitos em pardos em Minas. O Espírito Santo apresentou os menores números. Observou-se maior número de internações por embolia e trombose arterial entre pessoas brancas, seguidas pelas pardas, com destaque para o estado de São Paulo. Szwarcwald et al., (2021), apontam que tal distribuição pode estar relacionada ao maior acesso da população branca aos serviços de saúde, o que facilita o diagnóstico. Por outro lado, pessoas pretas, em sua maioria com menor poder aquisitivo, apresentam menor taxa de internações e óbitos, o que pode refletir desigualdades no acesso ao sistema de saúde. Destaca-se a quantidade de registros “Sem informação”, indicando possíveis falhas na coleta ou autodeclaração dos dados, o que é um limitador. Os dados analisados mostram que a população indígena apresenta uma baixa taxa de internações por embolia e trombose arterial em comparação com outras etnias. Tal diferença pode estar relacionada ao estilo de vida menos urbanizado e mais ativo, o que contribui para menor exposição a fatores de risco. Há também a precariedade da estrutura de saúde voltada aos povos indígenas e ao Sistema de Informações da Atenção à Saúde Indígena (SIASI), que enfrenta limitações de integração com outros sistemas do SUS, dificultando o acompanhamento adequado da saúde indígena. Conclui-se que a embolia e a trombose arteriais são causas relevantes de internações e mortalidade na região Sudeste, os dados evidenciam desigualdades importantes no perfil de internações e óbitos por embolia e trombose arterial na região Sudeste do Brasil refletindo diferenças étnico-raciais.
Authors
- F. Ferriolli Filho
- Mariza de Almeida (ORCID: https://orcid.org/0000-0003-2910-8704)
- Gabriela Ferreira De Oliveira (ORCID: https://orcid.org/0009-0000-5459-5562)
Institutions
- Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais (BR)
Publication Details
- Journal
- Hematology Transfusion and Cell Therapy
- Published
- 2025-10-01
- DOI
- https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105443
- Primary Topic
- Maternal and Neonatal Healthcare
- Type
- article
- Field-Weighted Citation Impact
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