A ATUAÇÃO DA ENFERMAGEM NO ACOMPANHAMENTO TRANSFUSIONAL EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO

A transfusão de hemocomponentes é intervenção de alta complexidade, amplamente utilizada no ambiente hospitalar. Apesar de sua relevância clínica, envolve riscos como transmissão de agentes infecciosos e reações imunológicas, exigindo indicação criteriosa e monitoramento rigoroso. A segurança transfusional depende de protocolos bem definidos e atuação multiprofissional integrada, sendo responsabilidade da enfermagem o acompanhamento e registro do procedimento. Analisar a atuação da equipe de enfermagem na segurança transfusional e na identificação de boas práticas. Estudo unicêntrico, observacional e retrospectivo, realizado em hospital universitário. Analisados registros transfusionais de pacientes adultos internados, por amostragem aleatória, com foco em dados do paciente e aspectos da prática transfusional: prescrição médica, tipo de hemocomponente, dupla checagem, horários de início e término, sinais vitais e registro de intercorrências. Foram avaliados 50 registros, idade mediana 52 anos e 60% do sexo masculino. O CTI concentrou 38% das transfusões, seguido por Hematologia (26%) e Clínica Médica (10%). O concentrado de hemácias foi o hemocomponente mais utilizado (75%). Não evidenciado prescrição médica em 19%, falta de dupla checagem em 74% e ausência de etiquetas ou número de identificação das bolsas em 69%. O horário de início e término foi registrado somente em 62%, com 5% das transfusões ocorreram fora do tempo recomendado. Apenas 21% dos registros apresentaram dados completos sobre o processo transfusional. Em relação as reações, 3% relataram sintomas compatíveis, 7% indicaram ausência de reação e 90% não apresentaram tal informação. O estudo evidenciou falhas frequentes e relevantes na execução e no registro de etapas críticas do processo transfusional. Esse perfil vai ao encontro da literatura sobre transfusão em pacientes críticos e onco-hematológicos. O uso predominante de concentrado de hemácias (75%) também está em linha com dados do Ministério da Saúde. Contudo, a transfusão sem prescrição médica (19%) compromete a rastreabilidade e contraria normas nacionais. A ausência de dupla checagem em 74% dos casos, aumenta o risco de erros graves como a administração de hemocomponentes incompatíveis e a falha no registro de horários em 38% dos formulários compromete o controle da duração da infusão. A ausência de número do hemocomponente em 69% dos registros prejudica a rastreabilidade e a investigação de eventos adversos. Apenas 21% dos registros incluíam informações completas, como local de punção e tipo de dispositivo. Quanto às reações transfusionais, foram relatadas em 3%, porém esse dado não foi citado em 90% dos casos, indicando possível subnotificação. A enfermagem desempenha papel estratégico na segurança do ato transfusional, por meio de práticas clínicas adequadas e registro sistemático. Auditorias devem ser realizadas e analisadas criticamente nos Hospitais para mapeamento dessa dessa atuação e criação de possibilidades de melhora no processo. As falhas identificadas evidenciam tal importância por aumentarem o risco de eventos adversos e apontam a necessidade de capacitação contínua, com foco no cumprimento rigoroso das normas e conscientização sobre a importância na segurança transfusional.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105923
Primary Topic
Blood transfusion and management
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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article

A ATUAÇÃO DA ENFERMAGEM NO ACOMPANHAMENTO TRANSFUSIONAL EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO

ER Bravo, GL Leite, S Moes, W Feu et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Blood transfusion and management
article

A ATUAÇÃO DA ENFERMAGEM NO ACOMPANHAMENTO TRANSFUSIONAL EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO

ER Bravo, GL Leite, S Moes, W Feu, T Barros
article en

Abstract

A transfusão de hemocomponentes é intervenção de alta complexidade, amplamente utilizada no ambiente hospitalar. Apesar de sua relevância clínica, envolve riscos como transmissão de agentes infecciosos e reações imunológicas, exigindo indicação criteriosa e monitoramento rigoroso. A segurança transfusional depende de protocolos bem definidos e atuação multiprofissional integrada, sendo responsabilidade da enfermagem o acompanhamento e registro do procedimento. Analisar a atuação da equipe de enfermagem na segurança transfusional e na identificação de boas práticas. Estudo unicêntrico, observacional e retrospectivo, realizado em hospital universitário. Analisados registros transfusionais de pacientes adultos internados, por amostragem aleatória, com foco em dados do paciente e aspectos da prática transfusional: prescrição médica, tipo de hemocomponente, dupla checagem, horários de início e término, sinais vitais e registro de intercorrências. Foram avaliados 50 registros, idade mediana 52 anos e 60% do sexo masculino. O CTI concentrou 38% das transfusões, seguido por Hematologia (26%) e Clínica Médica (10%). O concentrado de hemácias foi o hemocomponente mais utilizado (75%). Não evidenciado prescrição médica em 19%, falta de dupla checagem em 74% e ausência de etiquetas ou número de identificação das bolsas em 69%. O horário de início e término foi registrado somente em 62%, com 5% das transfusões ocorreram fora do tempo recomendado. Apenas 21% dos registros apresentaram dados completos sobre o processo transfusional. Em relação as reações, 3% relataram sintomas compatíveis, 7% indicaram ausência de reação e 90% não apresentaram tal informação. O estudo evidenciou falhas frequentes e relevantes na execução e no registro de etapas críticas do processo transfusional. Esse perfil vai ao encontro da literatura sobre transfusão em pacientes críticos e onco-hematológicos. O uso predominante de concentrado de hemácias (75%) também está em linha com dados do Ministério da Saúde. Contudo, a transfusão sem prescrição médica (19%) compromete a rastreabilidade e contraria normas nacionais. A ausência de dupla checagem em 74% dos casos, aumenta o risco de erros graves como a administração de hemocomponentes incompatíveis e a falha no registro de horários em 38% dos formulários compromete o controle da duração da infusão. A ausência de número do hemocomponente em 69% dos registros prejudica a rastreabilidade e a investigação de eventos adversos. Apenas 21% dos registros incluíam informações completas, como local de punção e tipo de dispositivo. Quanto às reações transfusionais, foram relatadas em 3%, porém esse dado não foi citado em 90% dos casos, indicando possível subnotificação. A enfermagem desempenha papel estratégico na segurança do ato transfusional, por meio de práticas clínicas adequadas e registro sistemático. Auditorias devem ser realizadas e analisadas criticamente nos Hospitais para mapeamento dessa dessa atuação e criação de possibilidades de melhora no processo. As falhas identificadas evidenciam tal importância por aumentarem o risco de eventos adversos e apontam a necessidade de capacitação contínua, com foco no cumprimento rigoroso das normas e conscientização sobre a importância na segurança transfusional.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Federal do Rio de Janeiro (BR)
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Blood transfusion and management
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