IMUNOTOLERÂNCIA ASSOCIADA À PROFILAXIA COM EMICIZUMABE NA HEMOFILIA A COM INIBIDORES: REDUZ SANGRAMENTO E RESULTA EM MAIOR CHANCE DE SUCESSO

O emicizumabe revolucionou o manejo da hemofilia A com inibidores, ao oferecer profilaxia eficaz e menos invasiva. No entanto, a Imunotolerância (ITI) é reconhecida como uma estratégia capaz de restabelecer a resposta ao Fator (F) VIII. Com a adoção da ITI em baixa dose no Brasil desde 2011 e o uso ampliado do emicizumabe nos últimos anos, torna-se necessário reavaliar o papel da ITI em combinação com essa profilaxia. Comparar a resposta clínica à ITI em baixa dose com e sem emicizumabe em pacientes pediátricos com hemofilia A e inibidores, submetidos ao protocolo de ITI pela primeira vez. Foram comparadas duas coortes de pacientes com hemofilia A e inibidores em primeira tentativa de ITI. A coorte retrospectiva (2010–2018) recebeu ITI em baixa dose com FVIII recombinante (50 UI/kg, 3×/sem). A coorte prospectiva (2021–2023) seguiu o mesmo esquema, associado à profilaxia com emi (3 mg/kg/sem por 4 semanas, seguido de 1,5 mg/kg/sem) (ITI + emi). Os pacientes foram acompanhados por pelo menos 33 semanas. No grupo ITI + emi, os pacientes que atingiram tolerância imune foram mantidos por 12 meses com emi e receberam dose única semanal de rFVIII (25 UI/kg/sem). Ao final, os pacientes foram avaliados quanto aos sangramentos e desfechos clínicos. Além disso, foram avaliados marcadores inflamatórios circulantes por Luminex (CD62E, CD62P, GM-CSF, ICAM1, IFNα, IFNγ, IL1α, IL1β, IL10, IL12p70, IL13, IL17a, IL4, IL6, IL8, CXCL4, CCL2, MIP1α, MIP1β e TNFα) na presença ou ausência de episódios hemorrágicos, durante o período de ITI. As coortes foram comparáveis no início da ITI. Onze pacientes foram incluídos na coorte histórica e nove na coorte ITI + emi com mediana de idade de 2,5 anos (1,0–5,8) vs . 2,2 anos (1,1–6,6), respectivamente. O título de inibidores ao início da ITI foi de 7,3 UB (4,1‒14,2) na coorte histórica e 2,8 UB (1,4‒11,5) em ITI + emi (p = 0,004), e não foram observadas diferenças entre o pico histórico de inibidores (47,2 vs . 49,7 UB; p = 0,66). Uma maior proporção de pacientes esteve sob profilaxia com agentes bypassing antes de iniciar a ITI + emi (27% vs. 77%; p = 0,02). Durante a ITI, foi possível constatar menor ocorrência de sangramentos tratados no grupo ITI + emi, com ABR mediana de 0 (0–2) vs . 4 (2–28) no grupo histórico (p = 0,003). O mesmo padrão foi observado para sangramentos articulares tratados (AJBR: 0 [0–0] vs . 1 [0–14]; p = 0,03). Em relação aos desfechos, a taxa de sucesso sustentado foi maior com ITI + emi (78% vs . 54%; p = 0,0005). O tempo até negativação do inibidor não diferiu significativamente entre os grupos, contudo o tempo até o sucesso completo foi menor no grupo ITI + emi (32 vs . 73 semanas; p = 0,008). Nas análises de marcadores inflamatórios, os níveis séricos de E-selectina (CD62-E) foram significativamente maiores na coorte histórica em comparação ao grupo ITI + emi (p = 0,025), sugerindo maior ativação endotelial relacionada ao perfil mais hemorrágico da coorte histórica. A associação de profilaxia com emicizumabe ao protocolo de ITI em baixa dose resultou em maior taxa de sucesso, tempo reduzido para imunotolerância e significativa diminuição de sangramentos. Essa estratégia combinada pode representar um avanço no manejo de pacientes pediátricos com hemofilia A e inibidores.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104950
Primary Topic
Sepsis Diagnosis and Treatment
Type
article
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IMUNOTOLERÂNCIA ASSOCIADA À PROFILAXIA COM EMICIZUMABE NA HEMOFILIA A COM INIBIDORES: REDUZ SANGRAMENTO E RESULTA EM MAIOR CHANCE DE SUCESSO

C Costa-Lima, MP Colella, NM Foschi, AP Francisco et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Sepsis Diagnosis and Treatment
article

IMUNOTOLERÂNCIA ASSOCIADA À PROFILAXIA COM EMICIZUMABE NA HEMOFILIA A COM INIBIDORES: REDUZ SANGRAMENTO E RESULTA EM MAIOR CHANCE DE SUCESSO

C Costa-Lima, MP Colella, NM Foschi, AP Francisco, MC Ozelo, V. Stahl, JO Frade-Guanaes, GG Yamaguti-Hayakawa, SAL Montalvão, VB Faiotto, Masao Hosokawa, SS Medina, A Sambo
article en

Abstract

O emicizumabe revolucionou o manejo da hemofilia A com inibidores, ao oferecer profilaxia eficaz e menos invasiva. No entanto, a Imunotolerância (ITI) é reconhecida como uma estratégia capaz de restabelecer a resposta ao Fator (F) VIII. Com a adoção da ITI em baixa dose no Brasil desde 2011 e o uso ampliado do emicizumabe nos últimos anos, torna-se necessário reavaliar o papel da ITI em combinação com essa profilaxia. Comparar a resposta clínica à ITI em baixa dose com e sem emicizumabe em pacientes pediátricos com hemofilia A e inibidores, submetidos ao protocolo de ITI pela primeira vez. Foram comparadas duas coortes de pacientes com hemofilia A e inibidores em primeira tentativa de ITI. A coorte retrospectiva (2010–2018) recebeu ITI em baixa dose com FVIII recombinante (50 UI/kg, 3×/sem). A coorte prospectiva (2021–2023) seguiu o mesmo esquema, associado à profilaxia com emi (3 mg/kg/sem por 4 semanas, seguido de 1,5 mg/kg/sem) (ITI + emi). Os pacientes foram acompanhados por pelo menos 33 semanas. No grupo ITI + emi, os pacientes que atingiram tolerância imune foram mantidos por 12 meses com emi e receberam dose única semanal de rFVIII (25 UI/kg/sem). Ao final, os pacientes foram avaliados quanto aos sangramentos e desfechos clínicos. Além disso, foram avaliados marcadores inflamatórios circulantes por Luminex (CD62E, CD62P, GM-CSF, ICAM1, IFNα, IFNγ, IL1α, IL1β, IL10, IL12p70, IL13, IL17a, IL4, IL6, IL8, CXCL4, CCL2, MIP1α, MIP1β e TNFα) na presença ou ausência de episódios hemorrágicos, durante o período de ITI. As coortes foram comparáveis no início da ITI. Onze pacientes foram incluídos na coorte histórica e nove na coorte ITI + emi com mediana de idade de 2,5 anos (1,0–5,8) vs . 2,2 anos (1,1–6,6), respectivamente. O título de inibidores ao início da ITI foi de 7,3 UB (4,1‒14,2) na coorte histórica e 2,8 UB (1,4‒11,5) em ITI + emi (p = 0,004), e não foram observadas diferenças entre o pico histórico de inibidores (47,2 vs . 49,7 UB; p = 0,66). Uma maior proporção de pacientes esteve sob profilaxia com agentes bypassing antes de iniciar a ITI + emi (27% vs. 77%; p = 0,02). Durante a ITI, foi possível constatar menor ocorrência de sangramentos tratados no grupo ITI + emi, com ABR mediana de 0 (0–2) vs . 4 (2–28) no grupo histórico (p = 0,003). O mesmo padrão foi observado para sangramentos articulares tratados (AJBR: 0 [0–0] vs . 1 [0–14]; p = 0,03). Em relação aos desfechos, a taxa de sucesso sustentado foi maior com ITI + emi (78% vs . 54%; p = 0,0005). O tempo até negativação do inibidor não diferiu significativamente entre os grupos, contudo o tempo até o sucesso completo foi menor no grupo ITI + emi (32 vs . 73 semanas; p = 0,008). Nas análises de marcadores inflamatórios, os níveis séricos de E-selectina (CD62-E) foram significativamente maiores na coorte histórica em comparação ao grupo ITI + emi (p = 0,025), sugerindo maior ativação endotelial relacionada ao perfil mais hemorrágico da coorte histórica. A associação de profilaxia com emicizumabe ao protocolo de ITI em baixa dose resultou em maior taxa de sucesso, tempo reduzido para imunotolerância e significativa diminuição de sangramentos. Essa estratégia combinada pode representar um avanço no manejo de pacientes pediátricos com hemofilia A e inibidores.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) (BR)
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Sepsis Diagnosis and Treatment
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