CUIDADOS PALIATIVOS EM HEMOGLOBINOPATIAS CRÔNICAS: DESAfiOS E ESTRATÉGIAS PARA O MANEJO DE DOR E CRISES EM SERVIÇOS MUNICIPAIS DO SUS

As hemoglobinopatias crônicas, como a anemia falciforme, caracterizam-se por crises vaso-oclusivas, dor crônica intensa e sofrimento psicossocial, que impactam a qualidade de vida dos pacientes. No Sistema Único de Saúde (SUS), os serviços municipais, frequentemente responsáveis pelo atendimento inicial e continuado, enfrentam barreiras para integrar cuidados paliativos (CP), abordagem centrada no alívio de sintomas físicos, emocionais e sociais. A subutilização de CP no manejo de crises e dor contribui para piores desfechos clínicos, sobretudo em contextos de média complexidade, com limitações de infraestrutura e capacitação. Esta revisão narrativa explorou desafios e estratégias para implementação de CP em hemoglobinopatias no SUS, adaptando experiências internacionais ao contexto brasileiro. O objetivo deste trabalho foi realizar uma revisão narrativa sobre a aplicação de CP em hemoglobinopatias crônicas, com ênfase no manejo da dor e crises agudas em serviços municipais, identificando barreiras estruturais, logísticas e educacionais, além de propor estratégias viáveis para otimizar a assistência no SUS. Para isso, conduziu-se revisão nas bases PubMed, SciELO e LILACS, incluindo artigos publicados entre 2010 e 2024. Os descritores utilizados foram “palliative care”, “sickle cell disease”, “pain management”, “chronic diseases” e “public health systems”. Selecionaram-se estudos sobre manejo da dor, crises falcêmicas, abordagem multidisciplinar e CP em serviços públicos, com foco em contextos aplicáveis ao SUS. A literatura mostra que os CP promovem melhora da qualidade de vida, reduzem hospitalizações e otimizam o controle da dor crônica e aguda. Estratégias como analgesia escalonada, uso de escalas validadas (como a Escala Visual Analógica) e intervenções psicossociais, como suporte psicológico e técnicas de relaxamento, são eficazes. Nos serviços municipais do SUS, a implementação de CP enfrenta obstáculos como ausência de protocolos, deficiência na formação profissional e desarticulação entre atenção primária, urgência e centros de referência. A escassez de equipes especializadas e a sobrecarga dos serviços contribuem para a fragmentação do cuidado, gerando atrasos no manejo de crises e subtratamento da dor. A integração precoce de CP no SUS pode transformar o cuidado em hemoglobinopatias, especialmente em hospitais municipais com alta demanda por crises. Estratégias incluem triagem rápida, uso sistemático de escalas de dor e planos terapêuticos individualizados que combinem intervenções farmacológicas (opioides, anti-inflamatórios) e não farmacológicas (suporte psicológico, técnicas de relaxamento, musicoterapia). Experiências internacionais reforçam a eficácia de diretrizes simplificadas, adaptáveis a contextos com poucos recursos, que podem orientar protocolos locais. Investir em capacitação e reorganização dos fluxos é fundamental para garantir abordagem centrada no paciente, mesmo em serviços com estrutura limitada. A integração de CP no manejo das hemoglobinopatias no SUS é viável e necessária, inclusive em serviços municipais. A reorganização dos fluxos, a capacitação de equipes multiprofissionais e a adoção de protocolos locais são estratégias promissoras para melhorar o controle da dor e das crises vaso-oclusivas, promovendo assistência mais humanizada. A adaptação de experiências internacionais à realidade do SUS pode fortalecer a implementação de CP, reduzindo morbimortalidade e ampliando a qualidade de vida dos pacientes.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105035
Primary Topic
Palliative and Oncologic Care
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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CUIDADOS PALIATIVOS EM HEMOGLOBINOPATIAS CRÔNICAS: DESAfiOS E ESTRATÉGIAS PARA O MANEJO DE DOR E CRISES EM SERVIÇOS MUNICIPAIS DO SUS

Denilson Ferreira de Oliveira, Luiz Vasconcelos, GA Ramos, NL Duarte
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Palliative and Oncologic Care
article

CUIDADOS PALIATIVOS EM HEMOGLOBINOPATIAS CRÔNICAS: DESAfiOS E ESTRATÉGIAS PARA O MANEJO DE DOR E CRISES EM SERVIÇOS MUNICIPAIS DO SUS

Denilson Ferreira de Oliveira, Luiz Vasconcelos, GA Ramos, NL Duarte
article en

Abstract

As hemoglobinopatias crônicas, como a anemia falciforme, caracterizam-se por crises vaso-oclusivas, dor crônica intensa e sofrimento psicossocial, que impactam a qualidade de vida dos pacientes. No Sistema Único de Saúde (SUS), os serviços municipais, frequentemente responsáveis pelo atendimento inicial e continuado, enfrentam barreiras para integrar cuidados paliativos (CP), abordagem centrada no alívio de sintomas físicos, emocionais e sociais. A subutilização de CP no manejo de crises e dor contribui para piores desfechos clínicos, sobretudo em contextos de média complexidade, com limitações de infraestrutura e capacitação. Esta revisão narrativa explorou desafios e estratégias para implementação de CP em hemoglobinopatias no SUS, adaptando experiências internacionais ao contexto brasileiro. O objetivo deste trabalho foi realizar uma revisão narrativa sobre a aplicação de CP em hemoglobinopatias crônicas, com ênfase no manejo da dor e crises agudas em serviços municipais, identificando barreiras estruturais, logísticas e educacionais, além de propor estratégias viáveis para otimizar a assistência no SUS. Para isso, conduziu-se revisão nas bases PubMed, SciELO e LILACS, incluindo artigos publicados entre 2010 e 2024. Os descritores utilizados foram “palliative care”, “sickle cell disease”, “pain management”, “chronic diseases” e “public health systems”. Selecionaram-se estudos sobre manejo da dor, crises falcêmicas, abordagem multidisciplinar e CP em serviços públicos, com foco em contextos aplicáveis ao SUS. A literatura mostra que os CP promovem melhora da qualidade de vida, reduzem hospitalizações e otimizam o controle da dor crônica e aguda. Estratégias como analgesia escalonada, uso de escalas validadas (como a Escala Visual Analógica) e intervenções psicossociais, como suporte psicológico e técnicas de relaxamento, são eficazes. Nos serviços municipais do SUS, a implementação de CP enfrenta obstáculos como ausência de protocolos, deficiência na formação profissional e desarticulação entre atenção primária, urgência e centros de referência. A escassez de equipes especializadas e a sobrecarga dos serviços contribuem para a fragmentação do cuidado, gerando atrasos no manejo de crises e subtratamento da dor. A integração precoce de CP no SUS pode transformar o cuidado em hemoglobinopatias, especialmente em hospitais municipais com alta demanda por crises. Estratégias incluem triagem rápida, uso sistemático de escalas de dor e planos terapêuticos individualizados que combinem intervenções farmacológicas (opioides, anti-inflamatórios) e não farmacológicas (suporte psicológico, técnicas de relaxamento, musicoterapia). Experiências internacionais reforçam a eficácia de diretrizes simplificadas, adaptáveis a contextos com poucos recursos, que podem orientar protocolos locais. Investir em capacitação e reorganização dos fluxos é fundamental para garantir abordagem centrada no paciente, mesmo em serviços com estrutura limitada. A integração de CP no manejo das hemoglobinopatias no SUS é viável e necessária, inclusive em serviços municipais. A reorganização dos fluxos, a capacitação de equipes multiprofissionais e a adoção de protocolos locais são estratégias promissoras para melhorar o controle da dor e das crises vaso-oclusivas, promovendo assistência mais humanizada. A adaptação de experiências internacionais à realidade do SUS pode fortalecer a implementação de CP, reduzindo morbimortalidade e ampliando a qualidade de vida dos pacientes.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
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Palliative and Oncologic Care
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