TECNOLOGIA EDUCACIONAL PARA ENFERMAGEM: FORTALECENDO A HEMOVIGILÂNCIA E O CUIDADO TRANSFUSIONAL

A assistência transfusional envolve etapas complexas que exigem conhecimento técnico, habilidade clínica e tomada de decisão segura dos profissionais de enfermagem. Contudo, falhas na identificação do receptor, monitorização de sinais vitais, reconhecimento precoce de reações transfusionais e registro adequado indicam lacunas no conhecimento e na padronização das práticas. Nesse contexto, o uso de Tecnologias Educacionais (TEs) pode ser uma estratégia eficaz para promover educação permanente e garantir a segurança do paciente. Identificar, com base na experiência de profissionais de enfermagem, subsídios para a construção de um fluxograma voltado à prática transfusional em um hemocentro público. Estudo metodológico, descritivo, com abordagem qualitativa, fundamentado nas diretrizes do Consolidated Criteria for Reporting Qualitative Research (COREQ). Realizado na Fundação Centro de Hemoterapia e Hematologia do Pará (HEMOPA), em Belém/PA. Participaram 15 profissionais de enfermagem, com atuação mínima de um ano em hemoterapia, formação na área e sem afastamentos no período. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade do Estado do Pará (CAAE: 69858323.2.0000.5170) e autorizado pelo Núcleo de Ensino e Pesquisa do HEMOPA. A coleta ocorreu entre agosto e outubro de 2023, por entrevistas semiestruturadas em ambiente reservado. A coleta abordou perfil profissional, conhecimento em hemovigilância, segurança transfusional e uso de TEs. A análise foi realizada por Análise de Conteúdo de Bardin, com suporte do software IRaMuTeQ para análise lexical e categorização temática. Predominaram profissionais do sexo feminino, com idades entre 37 e 57 anos, média de 18,6 anos de formação e vínculo institucional de 1 a 15 anos. Todos os enfermeiros possuíam especialização em hemoterapia e hematologia. Emergiram cinco classes principais: Cuidados diante de reações transfusionais, destacando interrupção da infusão e verificação de sinais vitais; Reconhecimento dos sinais e sintomas como febre, urticária e edema de glote, principalmente associados às plaquetas; Práticas de hemovigilância, incluindo notificação e retrovigilância; Propostas de TEs, como cartilhas e vídeos; e Sugestão de um fluxograma para apoiar visualmente o cuidado transfusional. Os achados reforçam a importância do preparo técnico para identificar reações transfusionais, destacando a atuação da equipe conforme protocolos. A dupla checagem da bolsa e do paciente, considerada essencial, foi citada por poucos participantes, indicando necessidade de reforço em treinamentos. Sinais como febre e urticária foram reconhecidos, evidenciando conhecimento clínico. A interrupção da transfusão, notificação e retrovigilância evidenciam alinhamento às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. A alta rotatividade da equipe motivou a indicação de TEs, com ênfase no fluxograma como estratégia para padronizar condutas e garantir segurança transfusional. Pode-se concluir que os resultados evidenciaram os conhecimentos e experiências dos profissionais na rotina transfusional do HEMOPA. Destacaram-se cuidados transfusionais, reconhecimento de reações e hemovigilância, embasando a proposta do fluxograma como TE. Essa ferramenta facilita o acesso rápido a informações essenciais, contribuindo para a prevenção de erros e promovendo maior segurança do paciente, além de apoiar a atualização contínua dos profissionais, especialmente diante da alta rotatividade da equipe.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105253
Primary Topic
Blood donation and transfusion practices
Type
article
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TECNOLOGIA EDUCACIONAL PARA ENFERMAGEM: FORTALECENDO A HEMOVIGILÂNCIA E O CUIDADO TRANSFUSIONAL

F. de A. Araujo, Alexandre Gonçalves Pinheiro, Rayssa de Souza Silva, C. Santos et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Blood donation and transfusion practices
article

TECNOLOGIA EDUCACIONAL PARA ENFERMAGEM: FORTALECENDO A HEMOVIGILÂNCIA E O CUIDADO TRANSFUSIONAL

F. de A. Araujo, Alexandre Gonçalves Pinheiro, Rayssa de Souza Silva, C. Santos, RC Valois, BARdA Ruivo, YM de Sousa, MCS Bulcão, WMS Lobato
article en

Abstract

A assistência transfusional envolve etapas complexas que exigem conhecimento técnico, habilidade clínica e tomada de decisão segura dos profissionais de enfermagem. Contudo, falhas na identificação do receptor, monitorização de sinais vitais, reconhecimento precoce de reações transfusionais e registro adequado indicam lacunas no conhecimento e na padronização das práticas. Nesse contexto, o uso de Tecnologias Educacionais (TEs) pode ser uma estratégia eficaz para promover educação permanente e garantir a segurança do paciente. Identificar, com base na experiência de profissionais de enfermagem, subsídios para a construção de um fluxograma voltado à prática transfusional em um hemocentro público. Estudo metodológico, descritivo, com abordagem qualitativa, fundamentado nas diretrizes do Consolidated Criteria for Reporting Qualitative Research (COREQ). Realizado na Fundação Centro de Hemoterapia e Hematologia do Pará (HEMOPA), em Belém/PA. Participaram 15 profissionais de enfermagem, com atuação mínima de um ano em hemoterapia, formação na área e sem afastamentos no período. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade do Estado do Pará (CAAE: 69858323.2.0000.5170) e autorizado pelo Núcleo de Ensino e Pesquisa do HEMOPA. A coleta ocorreu entre agosto e outubro de 2023, por entrevistas semiestruturadas em ambiente reservado. A coleta abordou perfil profissional, conhecimento em hemovigilância, segurança transfusional e uso de TEs. A análise foi realizada por Análise de Conteúdo de Bardin, com suporte do software IRaMuTeQ para análise lexical e categorização temática. Predominaram profissionais do sexo feminino, com idades entre 37 e 57 anos, média de 18,6 anos de formação e vínculo institucional de 1 a 15 anos. Todos os enfermeiros possuíam especialização em hemoterapia e hematologia. Emergiram cinco classes principais: Cuidados diante de reações transfusionais, destacando interrupção da infusão e verificação de sinais vitais; Reconhecimento dos sinais e sintomas como febre, urticária e edema de glote, principalmente associados às plaquetas; Práticas de hemovigilância, incluindo notificação e retrovigilância; Propostas de TEs, como cartilhas e vídeos; e Sugestão de um fluxograma para apoiar visualmente o cuidado transfusional. Os achados reforçam a importância do preparo técnico para identificar reações transfusionais, destacando a atuação da equipe conforme protocolos. A dupla checagem da bolsa e do paciente, considerada essencial, foi citada por poucos participantes, indicando necessidade de reforço em treinamentos. Sinais como febre e urticária foram reconhecidos, evidenciando conhecimento clínico. A interrupção da transfusão, notificação e retrovigilância evidenciam alinhamento às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. A alta rotatividade da equipe motivou a indicação de TEs, com ênfase no fluxograma como estratégia para padronizar condutas e garantir segurança transfusional. Pode-se concluir que os resultados evidenciaram os conhecimentos e experiências dos profissionais na rotina transfusional do HEMOPA. Destacaram-se cuidados transfusionais, reconhecimento de reações e hemovigilância, embasando a proposta do fluxograma como TE. Essa ferramenta facilita o acesso rápido a informações essenciais, contribuindo para a prevenção de erros e promovendo maior segurança do paciente, além de apoiar a atualização contínua dos profissionais, especialmente diante da alta rotatividade da equipe.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade da Amazônia (BR), Universidade do Estado do Pará (BR)
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Blood donation and transfusion practices
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