AVANÇOS NO DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DAS LEUCEMIAS AGUDAS: REVISÃO CRÍTICA BASEADA EM DIRETRIZES INTERNACIONAIS (2015–2025)

As leucemias agudas correspondem a aproximadamente 35% de todas as leucemias e permanecem como um dos principais desafios em hematologia devido à rápida evolução, alto risco de mortalidade e necessidade de intervenções emergenciais. O impacto dessas doenças é substancial tanto na sobrevida global quanto na qualidade de vida, especialmente em adultos jovens e idosos, e o cenário brasileiro apresenta barreiras adicionais relacionadas ao diagnóstico tardio e acesso desigual a terapias avançadas. Nos últimos anos, o conhecimento aprofundado sobre mecanismos genéticos, epigenéticos e imunológicos permitiu o surgimento de ferramentas diagnósticas mais precisas e novas estratégias terapêuticas baseadas em medicina personalizada, mudando radicalmente a abordagem clínica, prognóstica e as perspectivas de cura das leucemias agudas. Diretrizes internacionais reforçam a importância da estratificação de risco, detecção de doença residual mínima (MRD) e incorporação precoce de terapias-alvo e imunoterapias, impulsionando ganhos reais em sobrevida e redução de toxicidade. Analisar os avanços diagnósticos e terapêuticos em leucemias agudas, destacando diagnóstico molecular, terapias-alvo, imunoterapia e desafios para implementação prática à luz de consensos internacionais recentes. Revisão narrativa da literatura, abrangendo diretrizes ELN (2022), NCCN (2024), artigos do PubMed, Embase, Scopus e ensaios clínicos fase II/III. Foram priorizados estudos sobre diagnóstico molecular, estratificação de risco, terapias-alvo e imunoterapia. A utilização de painéis NGS e citometria multiparamétrica permitiu subclassificações clínicas mais refinadas, orientando a escolha terapêutica e o prognóstico em ambos os subtipos de leucemia. Em LMA, mutações em FLT3, IDH1/2, TP53 e NPM1 definem subgrupos de risco e indicam terapias-alvo (midostaurina, ivosidenibe, enasidenibe) e novas combinações, como venetoclax associada a hipometilantes, ampliando as opções para pacientes idosos ou fragilizados. Na LLA, terapias como blinatumomabe, inotuzumabe ozogamicina e CAR-T cells anti-CD19 revolucionaram o tratamento dos refratários e recidivados, atingindo taxas de remissão molecular e sobrevida livre de doença em 3 anos superiores a 50% em subgrupos selecionados. O transplante alogênico segue como principal estratégia para pacientes de alto risco, mas a indicação vem sendo redefinida com base na resposta molecular mensurável (MRD). Há uma transição clara do paradigma tradicional, baseado em morfologia e quimioterapia, para um modelo molecular e personalizado, com biomarcadores e plataformas genômicas guiando a terapia. A incorporação de imunoterapia e monitoramento por MRD permite remissões mais profundas e redução da toxicidade, ampliando as chances de cura mesmo em pacientes não elegíveis ao transplante. Ainda assim, o acesso universal, custo e seguimento prolongado são desafios especialmente relevantes no Brasil. As leucemias agudas ilustram o impacto da medicina de precisão na hematologia. O entendimento refinado das vias moleculares e a incorporação de novas terapias modificaram de forma concreta o prognóstico. A atualização permanente do hematologista, pautada em evidências, é fundamental para decisões mais seguras e eficazes.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104510
Primary Topic
Acute Myeloid Leukemia Research
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
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OCT
article

AVANÇOS NO DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DAS LEUCEMIAS AGUDAS: REVISÃO CRÍTICA BASEADA EM DIRETRIZES INTERNACIONAIS (2015–2025)

André Luís Ayres da Fonsêca, HEM Fonseca, Eduardo Fonseca, Lino Fonseca
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Acute Myeloid Leukemia Research
article

AVANÇOS NO DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DAS LEUCEMIAS AGUDAS: REVISÃO CRÍTICA BASEADA EM DIRETRIZES INTERNACIONAIS (2015–2025)

André Luís Ayres da Fonsêca, HEM Fonseca, Eduardo Fonseca, Lino Fonseca
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Abstract

As leucemias agudas correspondem a aproximadamente 35% de todas as leucemias e permanecem como um dos principais desafios em hematologia devido à rápida evolução, alto risco de mortalidade e necessidade de intervenções emergenciais. O impacto dessas doenças é substancial tanto na sobrevida global quanto na qualidade de vida, especialmente em adultos jovens e idosos, e o cenário brasileiro apresenta barreiras adicionais relacionadas ao diagnóstico tardio e acesso desigual a terapias avançadas. Nos últimos anos, o conhecimento aprofundado sobre mecanismos genéticos, epigenéticos e imunológicos permitiu o surgimento de ferramentas diagnósticas mais precisas e novas estratégias terapêuticas baseadas em medicina personalizada, mudando radicalmente a abordagem clínica, prognóstica e as perspectivas de cura das leucemias agudas. Diretrizes internacionais reforçam a importância da estratificação de risco, detecção de doença residual mínima (MRD) e incorporação precoce de terapias-alvo e imunoterapias, impulsionando ganhos reais em sobrevida e redução de toxicidade. Analisar os avanços diagnósticos e terapêuticos em leucemias agudas, destacando diagnóstico molecular, terapias-alvo, imunoterapia e desafios para implementação prática à luz de consensos internacionais recentes. Revisão narrativa da literatura, abrangendo diretrizes ELN (2022), NCCN (2024), artigos do PubMed, Embase, Scopus e ensaios clínicos fase II/III. Foram priorizados estudos sobre diagnóstico molecular, estratificação de risco, terapias-alvo e imunoterapia. A utilização de painéis NGS e citometria multiparamétrica permitiu subclassificações clínicas mais refinadas, orientando a escolha terapêutica e o prognóstico em ambos os subtipos de leucemia. Em LMA, mutações em FLT3, IDH1/2, TP53 e NPM1 definem subgrupos de risco e indicam terapias-alvo (midostaurina, ivosidenibe, enasidenibe) e novas combinações, como venetoclax associada a hipometilantes, ampliando as opções para pacientes idosos ou fragilizados. Na LLA, terapias como blinatumomabe, inotuzumabe ozogamicina e CAR-T cells anti-CD19 revolucionaram o tratamento dos refratários e recidivados, atingindo taxas de remissão molecular e sobrevida livre de doença em 3 anos superiores a 50% em subgrupos selecionados. O transplante alogênico segue como principal estratégia para pacientes de alto risco, mas a indicação vem sendo redefinida com base na resposta molecular mensurável (MRD). Há uma transição clara do paradigma tradicional, baseado em morfologia e quimioterapia, para um modelo molecular e personalizado, com biomarcadores e plataformas genômicas guiando a terapia. A incorporação de imunoterapia e monitoramento por MRD permite remissões mais profundas e redução da toxicidade, ampliando as chances de cura mesmo em pacientes não elegíveis ao transplante. Ainda assim, o acesso universal, custo e seguimento prolongado são desafios especialmente relevantes no Brasil. As leucemias agudas ilustram o impacto da medicina de precisão na hematologia. O entendimento refinado das vias moleculares e a incorporação de novas terapias modificaram de forma concreta o prognóstico. A atualização permanente do hematologista, pautada em evidências, é fundamental para decisões mais seguras e eficazes.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
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Acute Myeloid Leukemia Research
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