CARACTERIZAÇÃO CLÍNICA E LABORATORIAL DE PACIENTES COM NEOPLASIAS MIELOPROLIFERATIVAS BCR::ABL1 NEGATIVAS EM UMA COORTE DO AMAZONAS

As Neoplasias Mieloproliferativas (NMPs) BCR::ABL1 negativas — Policitemia Vera (PV), Trombocitemia Essencial (TE) e Mielofibrose Primária (MFP) — são doenças clonais da célula-tronco hematopoética, caracterizadas principalmente por mutações nos genes JAK2, CALR e MPL. Essas alterações promovem proliferação celular desregulada e um estado inflamatório crônico, contribuindo para o aumento do risco de eventos tromboembólicos, importante causa de morbimortalidade nesses pacientes. Na PV, a eritrocitose associada a disfunções qualitativas, como ativação plaquetária e endotelial, está relacionada a complicações cardiovasculares, que respondem por até 41% dos óbitos. Na TE, a trombocitose persistente, especialmente em portadores da mutação JAK2V617F, eleva significativamente o risco trombótico. Já a MFP associa inflamação medular e hematopoiese extramedular a um perfil pró-coagulante, potencializando complicações vasculares. Descrever o perfil clínico-hematológico dos pacientes com PV, TE e MFP atendidos na Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (FHEMOAM). Foram incluídos pacientes com diagnóstico de NMPs BCR::ABL1 negativas recrutados através de demanda espontânea para participação na pesquisa a partir do cadastro de pacientes com este diagnóstico em seguimento na FHEMOAM. A detecção da mutação JAK2V617F foi realizada por Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) convencional, seguida de eletroforese em gel de agarose a 2%. Dados clínicos foram coletados a partir de prontuários digitais e físicos, complementados por informações laboratoriais obtidas via software SoftLab. Foram incluídos 107 pacientes com os seguintes diagnósticos: PV (n = 40), TE (n = 60) e MFP (n = 7), representando 97,2% (n = 110) da totalidade de pacientes convidados para participar. A mediana de seguimento dos pacientes incluídos foi de 8,8 (4,4—20) meses. A mediana de idade ao diagnóstico foi de 54,5 (41,8—65,5) anos, com predomínio do sexo feminino (65,4%). A TE foi a NMP mais prevalente (56,1%), seguida de PV (37,4%) e MFP (6,5%). A presença de esplenomegalia, no momento do diagnóstico, foi de 20,8% e a mutação JAK2V617F foi identificada em 29,9% dos casos. Ainda no perfil clínico, comorbidades foram frequentes, destacando-se hipertensão arterial sistêmica (54,2%), seguida de diabetes mellitus (12,1%), tabagismo (10,3%), dislipidemia (8,4%) e obesidade (3,5%). Eventos trombóticos ocorreram em 15% dos pacientes, sendo 40% arteriais e 60% venosos. Os achados mostram perfil semelhante ao descrito em coortes internacionais. A prevalência da mutação JAK2V617F (29,9%) foi inferior ao reportado (40—65%), possivelmente por diferenças populacionais e métodos diagnósticos. Apesar de 15% apresentarem eventos trombóticos, não houve correlação com parâmetros hematológicos, reforçando que a trombose nas NMPs é multifatorial, envolvendo disfunções celulares e endoteliais. Estudos confirmam JAK2V617F como fator independente para trombose, evidenciando a necessidade de estratificação individualizada e manejo precoce. Portanto, a descrição desta coorte abre caminho para estudos sobre o comportamento desta condição em um cenário epidemiológico distinto daquele descrito nos estudos já publicados sobre NMPs.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104407
Primary Topic
Myeloproliferative Neoplasms: Diagnosis and Treatment
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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Controls
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ALL TIME
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AUG
SEP
OCT
article

CARACTERIZAÇÃO CLÍNICA E LABORATORIAL DE PACIENTES COM NEOPLASIAS MIELOPROLIFERATIVAS BCR::ABL1 NEGATIVAS EM UMA COORTE DO AMAZONAS

EV de Paula, Lucas Werneck Mourão, JF Paes, G. M. Da Silva et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Myeloproliferative Neoplasms: Diagnosis and Treatment
article

CARACTERIZAÇÃO CLÍNICA E LABORATORIAL DE PACIENTES COM NEOPLASIAS MIELOPROLIFERATIVAS BCR::ABL1 NEGATIVAS EM UMA COORTE DO AMAZONAS

EV de Paula, Lucas Werneck Mourão, JF Paes, G. M. Da Silva, AM Tarragô, MOD Nascimento, ROD Santos, D. L. G. ALVES, EVB Alves, WH Laranjeira, THL Barreto
article en

Abstract

As Neoplasias Mieloproliferativas (NMPs) BCR::ABL1 negativas — Policitemia Vera (PV), Trombocitemia Essencial (TE) e Mielofibrose Primária (MFP) — são doenças clonais da célula-tronco hematopoética, caracterizadas principalmente por mutações nos genes JAK2, CALR e MPL. Essas alterações promovem proliferação celular desregulada e um estado inflamatório crônico, contribuindo para o aumento do risco de eventos tromboembólicos, importante causa de morbimortalidade nesses pacientes. Na PV, a eritrocitose associada a disfunções qualitativas, como ativação plaquetária e endotelial, está relacionada a complicações cardiovasculares, que respondem por até 41% dos óbitos. Na TE, a trombocitose persistente, especialmente em portadores da mutação JAK2V617F, eleva significativamente o risco trombótico. Já a MFP associa inflamação medular e hematopoiese extramedular a um perfil pró-coagulante, potencializando complicações vasculares. Descrever o perfil clínico-hematológico dos pacientes com PV, TE e MFP atendidos na Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (FHEMOAM). Foram incluídos pacientes com diagnóstico de NMPs BCR::ABL1 negativas recrutados através de demanda espontânea para participação na pesquisa a partir do cadastro de pacientes com este diagnóstico em seguimento na FHEMOAM. A detecção da mutação JAK2V617F foi realizada por Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) convencional, seguida de eletroforese em gel de agarose a 2%. Dados clínicos foram coletados a partir de prontuários digitais e físicos, complementados por informações laboratoriais obtidas via software SoftLab. Foram incluídos 107 pacientes com os seguintes diagnósticos: PV (n = 40), TE (n = 60) e MFP (n = 7), representando 97,2% (n = 110) da totalidade de pacientes convidados para participar. A mediana de seguimento dos pacientes incluídos foi de 8,8 (4,4—20) meses. A mediana de idade ao diagnóstico foi de 54,5 (41,8—65,5) anos, com predomínio do sexo feminino (65,4%). A TE foi a NMP mais prevalente (56,1%), seguida de PV (37,4%) e MFP (6,5%). A presença de esplenomegalia, no momento do diagnóstico, foi de 20,8% e a mutação JAK2V617F foi identificada em 29,9% dos casos. Ainda no perfil clínico, comorbidades foram frequentes, destacando-se hipertensão arterial sistêmica (54,2%), seguida de diabetes mellitus (12,1%), tabagismo (10,3%), dislipidemia (8,4%) e obesidade (3,5%). Eventos trombóticos ocorreram em 15% dos pacientes, sendo 40% arteriais e 60% venosos. Os achados mostram perfil semelhante ao descrito em coortes internacionais. A prevalência da mutação JAK2V617F (29,9%) foi inferior ao reportado (40—65%), possivelmente por diferenças populacionais e métodos diagnósticos. Apesar de 15% apresentarem eventos trombóticos, não houve correlação com parâmetros hematológicos, reforçando que a trombose nas NMPs é multifatorial, envolvendo disfunções celulares e endoteliais. Estudos confirmam JAK2V617F como fator independente para trombose, evidenciando a necessidade de estratificação individualizada e manejo precoce. Portanto, a descrição desta coorte abre caminho para estudos sobre o comportamento desta condição em um cenário epidemiológico distinto daquele descrito nos estudos já publicados sobre NMPs.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) (BR), Universidade do Estado do Amazonas (BR), Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (BR), Universidade Federal do Amazonas (BR)
Openalex Percentile: Top 57%
Myeloproliferative Neoplasms: Diagnosis and Treatment
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