USO DE ACICLOVIR ASSOCIADO A LETERMOVIR NO PÓS-TRANSPLANTE DE MEDULA ÓSSEA: UMA REVISÃO INTEGRATIVA DE LITERATURA
O transplante de medula óssea (TMO) é um procedimento que expõe os pacientes a um elevado risco de infecções virais, especialmente durante a fase de neutropenia e na prevenção da doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH). Entre os agentes virais mais relevantes, destacam-se o herpes simplex vírus (HSV-1, HSV-2), o vírus varicela-zoster (VZV) e o citomegalovírus (CMV), cuja reativação pode levar a complicações graves. O aciclovir, um análogo de nucleosídeo que inibe seletivamente a DNA polimerase viral, em conjunto com o letermovir, um inibidor do complexo CMV-terminase que é essencial à replicação viral, tem se consolidado como terapia essencial na profilaxia e tratamento dessas infecções. Avaliar o papel do aciclovir associado ao letermovir na prevenção e tratamento de infecções por herpesvírus e citomegalovírus em receptores. Esta revisão integrativa de literatura foi realizada nas bases de dados: PubMed, Embase, Scopus e Cochrane Library; com os descritores: "acyclovir", “letermovir”, "stem cell transplantation", "viral infections", "HSV", “CMV” e "prophylaxis". Foram incluídos ensaios clínicos randomizados, coorte prospectivo e meta-análises publicados entre 2015 e 2023. Dados sobre incidência de infecção, mortalidade, resistência viral e parâmetros imunológicos preditivos foram extraídos e analisados. A associação de aciclovir e letermovir no pós-TMO alogênico proporciona cobertura antiviral abrangente e segura contra HSV, VZV e CMV. O aciclovir reduziu a incidência de HSV de 60% para menos de 5% e está associado à menor mortalidade por infecções virais (OR 0,45; IC 95%: 0,30–0,68) e à menor incidência de DECH (OR 0,72; IC 95%: 0,55–0,94). A resistência ao aciclovir é baixa (< 5%), e regimes prolongados reduzem ainda mais sua ocorrência (0,2% vs. 1,3%). O letermovir reduz a incidência de infecção clinicamente significativa por CMV na 24ª semana pós-TMO (37,5% vs. 60,6%; p < 0,001) e apresenta baixa toxicidade hematológica e renal, sem resistência cruzada com o aciclovir. Pacientes com contagem de CD4+ < 23% ou razão CD4+/CD8+ < 0,9 apresentaram maior risco de reativação viral e se beneficiam mais dessa estratégia combinada. Pacientes imunossuprimidos se beneficiam particularmente dessa abordagem, reforçando a importância do monitoramento imunológico individualizado para adesão, já que aqueles com infecção prévia por algum desses vírus apresentam maior chance de reativação.A associação de aciclovir e letermovir mostrou-se eficaz na profilaxia de infecções, reduzindo a mortalidade, incidência e complicações virais graves na DECH. No entanto, permanecem desafios, como a definição do tempo ideal de uso combinado, o monitoramento de resistência antiviral e a ampliação de dados de longo prazo. A utilização de biomarcadores imunológicos para individualizar a profilaxia surge como uma estratégia promissora para otimizar desfechos clínicos, especialmente em pacientes de alto risco imunológico.
Authors
- ME Paschoaletti
- LP Marchelli
Institutions
- Universidade Nove de Julho (BR)
Publication Details
- Journal
- Hematology Transfusion and Cell Therapy
- Published
- 2025-10-01
- DOI
- https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105572
- Primary Topic
- Cytomegalovirus and herpesvirus research
- Type
- article
- Field-Weighted Citation Impact
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