PERFIL DAS INTERNAÇÕES POR ANEMIA FERROPRIVA NO BRASIL
A Anemia Ferropriva (AF) é o tipo mais comum de anemia no mundo e é causada pela deficiência de ferro, responsável pela formação de hemoglobina. A insuficiência dessa proteína gera diminuição na capacidade de transporte de oxigênio e sintomas como fadiga, palidez e dispneia. A ingestão insuficiente de ferro, perdas sanguíneas crônicas e má absorção intestinal do nutriente são fatores que agravam a doença. O diagnóstico de AF requer a combinação de parâmetros hematimétricos (Hb, VCM, HCM) e marcadores de metabolismo do ferro (ferritina, CTLF). Diante desse cenário, este estudo visa compreender o perfil epidemiológico das internações por AF no Brasil. Realizar uma análise epidemiológica do perfil das internações por AF no Brasil, com variáveis como faixa etária, sexo e região geográfica, além de identificar os determinantes associados e o comportamento epidemiológico. Trata-se de um estudo epidemiológico descritivo e quantitativo, com enfoque estatístico, baseado em dados obtidos na plataforma DATASUS, referentes às internações hospitalares por “Anemia por deficiência de ferro” no período de janeiro de 2020 a maio de 2025. Foram analisadas as variáveis faixa etária, sexo, região geográfica, etnia, tipo de atendimento e desfecho. Para embasamento teórico e interpretativo, foi realizada uma revisão narrativa da literatura nas bases PubMed, ASH Publications e SciELO, com os descritores: “anemia ferropriva”, “epidemiologia”, “internação” e “ iron deficiency ”. Foram incluídos artigos publicados entre 2020 e 2025, em inglês e português, que abordassem aspectos epidemiológicos relacionados à AF. Ocorreram 75.825 internações em todo o Brasil, sendo a Região Sudeste com o maior índice, 40% das hospitalizações (30.680), seguida pelo Nordeste (20.619 casos), Norte (6.463) e Centro-Oeste (6.764). Nesse período, o ano de mais internações foi 2024: 16.514, sendo 5.751 (34,8%) pacientes idosos a partir de 70 anos. Esta faixa etária foi a mais acometida no período estudado: 26.719 casos de internação nos idosos a partir de 70 anos, sendo 24.996 internações em caráter de urgência, resultando em 1.877 óbitos de um total de 3.243 (58%). Já em termos étnico-raciais, pardos representaram 47,8% das internações, brancos 33,7%, pretos 4,6%, amarelos 1,8% e indígenas 0,6%. A alta concentração de casos na Região Sudeste pode estar associada à sua densidade populacional e ao estilo de vida urbano, frequentemente relacionado a hábitos alimentares inadequados. O grupo mais afetado por AF são os idosos acima de 70 anos, sendo a pandemia de COVID-19 a principal hipótese para esse valor, visto que nesse período houve uma mudança considerável no estilo de vida e alto índice de internações prolongadas, fatores de risco para o desenvolvimento da AF. Por fim, quanto à maior prevalência entre pessoas pardas, tal achado pode refletir tanto a distribuição étnico-racial da população quanto fatores sociais estruturais, como desigualdades no acesso à saúde e à alimentação adequada. Portanto, a AF reflete um problema de saúde pública do país, apresentando um número elevado de internações, principalmente entre a população idosa e pessoas em situação de vulnerabilidade, o que revela um cenário influenciado por determinantes sociais como pobreza, insegurança alimentar e envelhecimento. Logo, os achados centram-se na necessidade de estratégias multidisciplinares, visando à diminuição da morbimortalidade da doença.
Authors
- GP Gutierres
- G. R. Silva
- Nelson Barbosa
- Armando Jorge Sousa (ORCID: https://orcid.org/0000-0002-0317-4714)
- Gabrielle Barreto
- MZ Rodrigues
- João V. L. da Silva (ORCID: https://orcid.org/0000-0003-2959-5493)
- MF Dias
- AF Moreira Fiorillo
- MC de Almeida Granjeiro
Institutions
- Universidade Católica de Brasília (BR)
Publication Details
- Journal
- Hematology Transfusion and Cell Therapy
- Published
- 2025-10-01
- DOI
- https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105439
- Primary Topic
- Iron Metabolism and Disorders
- Type
- article
- Field-Weighted Citation Impact
- 0.00