INCIDÊNCIA, FATORES DE RISCO E ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO DA ALOIMUNIZAÇÃO EM PACIENTES POLITRANSFUNDIDOS: REVISÃO DA LITERATURA

A aloimunização é a principal complicação imuno-hematológica associada a episódios transfusionais recorrentes, representando uma condição de alta relevância clínica, pois se torna um desafio a disponibilidade de hemocomponentes fenotipados para o maior número possível de antígenos imunogênicos, a fim de minimizar o risco de formação de aloanticorpos e, assim, reduzir problemas imunológicos nas transfusões subsequentes. Analisar as evidências publicadas nos últimos cinco anos sobre a incidência, e os fatores de risco e as estratégias de prevenção da aloimunização eritrocitária em pacientes politransfundidos não contemplados por protocolos transfusionais de fenotipagem de concentrados de hemácias. Revisão sistemática nas bases de dados PubMed, SciELO e LILACS, incluindo estudos originais (coorte, caso-controle, transversais, ensaios clínicos randomizados e retrospectivos) publicados entre janeiro de 2020 e julho de 2025, em português, inglês ou espanhol. Foram incluídos estudos com pacientes politransfundidos sem protocolos de fenotipagem, excluindo relatos de caso único, revisões narrativas, estudos sobre aloimunização plaquetária, materno-fetal ou restritos à doença falciforme. A triagem seguiu as diretrizes PRISMA 2020, em duas etapas (título/resumo e texto completo), a partir de 257 registros (PubMed: 225; SciELO: 12; Google Acadêmico: 20), resultando na inclusão de 18 estudos originais. A qualidade metodológica foi avaliada com a ferramenta ROBINS-I, classificando os estudos em baixo, moderado ou alto risco de viés. Nesta revisão, foram selecionados 18 estudos originais para análise final, nos quais as taxas de aloimunização variaram entre 10% e 50%. Alguns fatores influenciadores foram identificados: número e frequência de transfusões, gravidez, imunogenicidade do antígeno, resposta imune do receptor, etnia, diferenças no padrão antigênico entre doador e receptor, incompatibilidades ABO/Rh e fenótipos eritrocitários mais raros. Os principais grupos de pacientes submetidos a transfusões contínuas que desenvolveram aloanticorpos foram: pacientes renais crônicos (8%–25%), com hemoglobinopatias (20%–50%) e onco-hematológicos (15%–45%). A prevalência dos anticorpos encontrados foi: Anti-E (25,7%), Anti-K (17,1%), Anti-c (14,2%), Anti-Fya (11,4%), Anti-Jka (8,5%), Anti-C (5,7%), Anti-s (2,8%) e outros (14,6%). Avaliação pelo ROBINS-I demonstrou baixo risco de viés em 50% dos estudos, moderado em 37,5% e alto em 12,5%. Limitações metodológicas incluíram heterogeneidade nos critérios de definição de politransfusão, viés de seleção e acompanhamento inconsistente. Os achados desta revisão sugerem, como medida preventiva à aloimunização em pacientes renais crônicos, portadores de hemoglobinopatias e onco- hematológicos, a elaboração de protocolos que incluam esses grupos de risco, contemplando-os com transfusões de concentrados de hemácias fenotipados para, ao menos, os sistemas RH e KEL, além do uso de hemocomponentes desleucocitados, a fim de reduzir o risco de imunogenicidade. São necessários mais estudos, especialmente de âmbito nacional, a fim de definir a epidemiologia regional e permitir que, futuramente, esses pacientes sejam contemplados pela legislação vigente.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105657
Primary Topic
Blood groups and transfusion
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
JAN
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JUL
AUG
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OCT
article

INCIDÊNCIA, FATORES DE RISCO E ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO DA ALOIMUNIZAÇÃO EM PACIENTES POLITRANSFUNDIDOS: REVISÃO DA LITERATURA

SL Bonifácio, Roberta Beatriz Santos Oliveira, Rui P.R. Cardoso, AL Girello et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Blood groups and transfusion
article

INCIDÊNCIA, FATORES DE RISCO E ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO DA ALOIMUNIZAÇÃO EM PACIENTES POLITRANSFUNDIDOS: REVISÃO DA LITERATURA

SL Bonifácio, Roberta Beatriz Santos Oliveira, Rui P.R. Cardoso, AL Girello, Bruno Gomes Nogueira, Ns Lemelle
article en

Abstract

A aloimunização é a principal complicação imuno-hematológica associada a episódios transfusionais recorrentes, representando uma condição de alta relevância clínica, pois se torna um desafio a disponibilidade de hemocomponentes fenotipados para o maior número possível de antígenos imunogênicos, a fim de minimizar o risco de formação de aloanticorpos e, assim, reduzir problemas imunológicos nas transfusões subsequentes. Analisar as evidências publicadas nos últimos cinco anos sobre a incidência, e os fatores de risco e as estratégias de prevenção da aloimunização eritrocitária em pacientes politransfundidos não contemplados por protocolos transfusionais de fenotipagem de concentrados de hemácias. Revisão sistemática nas bases de dados PubMed, SciELO e LILACS, incluindo estudos originais (coorte, caso-controle, transversais, ensaios clínicos randomizados e retrospectivos) publicados entre janeiro de 2020 e julho de 2025, em português, inglês ou espanhol. Foram incluídos estudos com pacientes politransfundidos sem protocolos de fenotipagem, excluindo relatos de caso único, revisões narrativas, estudos sobre aloimunização plaquetária, materno-fetal ou restritos à doença falciforme. A triagem seguiu as diretrizes PRISMA 2020, em duas etapas (título/resumo e texto completo), a partir de 257 registros (PubMed: 225; SciELO: 12; Google Acadêmico: 20), resultando na inclusão de 18 estudos originais. A qualidade metodológica foi avaliada com a ferramenta ROBINS-I, classificando os estudos em baixo, moderado ou alto risco de viés. Nesta revisão, foram selecionados 18 estudos originais para análise final, nos quais as taxas de aloimunização variaram entre 10% e 50%. Alguns fatores influenciadores foram identificados: número e frequência de transfusões, gravidez, imunogenicidade do antígeno, resposta imune do receptor, etnia, diferenças no padrão antigênico entre doador e receptor, incompatibilidades ABO/Rh e fenótipos eritrocitários mais raros. Os principais grupos de pacientes submetidos a transfusões contínuas que desenvolveram aloanticorpos foram: pacientes renais crônicos (8%–25%), com hemoglobinopatias (20%–50%) e onco-hematológicos (15%–45%). A prevalência dos anticorpos encontrados foi: Anti-E (25,7%), Anti-K (17,1%), Anti-c (14,2%), Anti-Fya (11,4%), Anti-Jka (8,5%), Anti-C (5,7%), Anti-s (2,8%) e outros (14,6%). Avaliação pelo ROBINS-I demonstrou baixo risco de viés em 50% dos estudos, moderado em 37,5% e alto em 12,5%. Limitações metodológicas incluíram heterogeneidade nos critérios de definição de politransfusão, viés de seleção e acompanhamento inconsistente. Os achados desta revisão sugerem, como medida preventiva à aloimunização em pacientes renais crônicos, portadores de hemoglobinopatias e onco- hematológicos, a elaboração de protocolos que incluam esses grupos de risco, contemplando-os com transfusões de concentrados de hemácias fenotipados para, ao menos, os sistemas RH e KEL, além do uso de hemocomponentes desleucocitados, a fim de reduzir o risco de imunogenicidade. São necessários mais estudos, especialmente de âmbito nacional, a fim de definir a epidemiologia regional e permitir que, futuramente, esses pacientes sejam contemplados pela legislação vigente.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
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Blood groups and transfusion
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