ANEMIAS DA SÉRIE VERMELHA NÃO NUTRICIONAIS: REVISÃO BIBLIOGRÁfiCA BASEADA EM EVIDÊNCIAS NACIONAIS E INTERNACIONAIS (2015–2025)

As doenças da série vermelha não nutricionais englobam um conjunto de anemias com origens genéticas, autoimunes ou adquiridas, como a anemia falciforme, as talassemias, as anemias hemolíticas autoimunes e a anemia aplásica. Essas condições têm expressivo impacto clínico, social e econômico, exigindo diagnóstico precoce e acompanhamento especializado. A anemia falciforme, em particular, é considerada problema de saúde pública no Brasil, com maior prevalência em populações negras e pardo-brasileiras. Revisar as evidências disponíveis em revisões gerais, sistemáticas e metanálises nacionais e internacionais publicadas entre 2015 e 2025 sobre as principais anemias não nutricionais da série vermelha, enfocando prevalência, manifestações clínicas, condutas e impacto nos sistemas de saúde. Foram realizadas buscas nas bases PubMed, SciELO, LILACS, Scopus e Cochrane Library com os termos: “anemia falciforme”, “anemia hemolítica”, “talassemia”, “anemia aplásica”, combinados a “systematic review” ou “meta-analysis”. Critérios de inclusão: publicações entre 2015 e 2025, com foco em populações humanas, publicadas em português, espanhol ou inglês. Priorizaram-se estudos com dados da realidade brasileira ou com repercussões clínicas para a América Latina. Uma metanálise global de 2023 apontou que a anemia falciforme afeta mais de 300 mil nascimentos por ano no mundo. No Brasil, a prevalência é de 1 em cada 1.000 nascidos vivos, com concentração maior nas regiões Norte e Nordeste (MARQUES et al., 2023). Revisão brasileira (2021) sobre complicações da doença falciforme evidenciou alto risco de acidente vascular cerebral (AVC) e síndrome torácica aguda, com mortalidade precoce quando não há seguimento especializado (SANTOS et al., 2021). Uma revisão sistemática de 2020 apontou que o uso de hidroxiureia reduz significativamente as crises dolorosas e episódios de hospitalização em pacientes com falciforme, embora o acesso a esse tratamento ainda seja limitado em algumas regiões brasileiras (FREITAS et al., 2020). Revisão de 2019 sobre talassemias mostrou que o diagnóstico precoce, terapia transfusional regular e o uso de quelantes de ferro são essenciais para evitar sobrecarga férrica e insuficiência cardíaca (OLIVEIRA et al., 2019). Anemia aplásica, embora rara, foi tema de revisão de literatura em 2022 com dados brasileiros indicando associação a infecções virais, exposição a agrotóxicos e medicamentos mielotóxicos (SILVA et al., 2022). As anemias hereditárias e adquiridas não nutricionais ainda representam desafios assistenciais, principalmente em áreas com menor cobertura de serviços especializados. Apesar da existência de protocolos clínicos e tratamentos eficazes, como a hidroxiureia, a inequidade de acesso e o diagnóstico tardio ainda comprometem os resultados clínicos, sobretudo na população com doença falciforme. A sobrecarga nos centros hematológicos e a necessidade de seguimento multidisciplinar apontam para a urgência em ampliar o acesso e qualificação da rede de atenção especializada. As anemias da série vermelha não nutricionais exigem atenção contínua das políticas públicas de saúde no Brasil. Evidências científicas nacionais e internacionais confirmam a alta carga de morbidade associada, especialmente nas hemoglobinopatias. O fortalecimento do rastreio neonatal, acesso à terapia adequada e capacitação das equipes de saúde são fundamentais para mudar o panorama dessas doenças no país.

Authors

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104070
Primary Topic
Iron Metabolism and Disorders
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
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OCT
article

ANEMIAS DA SÉRIE VERMELHA NÃO NUTRICIONAIS: REVISÃO BIBLIOGRÁfiCA BASEADA EM EVIDÊNCIAS NACIONAIS E INTERNACIONAIS (2015–2025)

C. M. O. Valente, Sheila Cristina Furtado Sales, Luiz Felipe de Azevedo Assunção, SMS Trindade et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Iron Metabolism and Disorders
article

ANEMIAS DA SÉRIE VERMELHA NÃO NUTRICIONAIS: REVISÃO BIBLIOGRÁfiCA BASEADA EM EVIDÊNCIAS NACIONAIS E INTERNACIONAIS (2015–2025)

C. M. O. Valente, Sheila Cristina Furtado Sales, Luiz Felipe de Azevedo Assunção, SMS Trindade, SDC Corora
article en

Abstract

As doenças da série vermelha não nutricionais englobam um conjunto de anemias com origens genéticas, autoimunes ou adquiridas, como a anemia falciforme, as talassemias, as anemias hemolíticas autoimunes e a anemia aplásica. Essas condições têm expressivo impacto clínico, social e econômico, exigindo diagnóstico precoce e acompanhamento especializado. A anemia falciforme, em particular, é considerada problema de saúde pública no Brasil, com maior prevalência em populações negras e pardo-brasileiras. Revisar as evidências disponíveis em revisões gerais, sistemáticas e metanálises nacionais e internacionais publicadas entre 2015 e 2025 sobre as principais anemias não nutricionais da série vermelha, enfocando prevalência, manifestações clínicas, condutas e impacto nos sistemas de saúde. Foram realizadas buscas nas bases PubMed, SciELO, LILACS, Scopus e Cochrane Library com os termos: “anemia falciforme”, “anemia hemolítica”, “talassemia”, “anemia aplásica”, combinados a “systematic review” ou “meta-analysis”. Critérios de inclusão: publicações entre 2015 e 2025, com foco em populações humanas, publicadas em português, espanhol ou inglês. Priorizaram-se estudos com dados da realidade brasileira ou com repercussões clínicas para a América Latina. Uma metanálise global de 2023 apontou que a anemia falciforme afeta mais de 300 mil nascimentos por ano no mundo. No Brasil, a prevalência é de 1 em cada 1.000 nascidos vivos, com concentração maior nas regiões Norte e Nordeste (MARQUES et al., 2023). Revisão brasileira (2021) sobre complicações da doença falciforme evidenciou alto risco de acidente vascular cerebral (AVC) e síndrome torácica aguda, com mortalidade precoce quando não há seguimento especializado (SANTOS et al., 2021). Uma revisão sistemática de 2020 apontou que o uso de hidroxiureia reduz significativamente as crises dolorosas e episódios de hospitalização em pacientes com falciforme, embora o acesso a esse tratamento ainda seja limitado em algumas regiões brasileiras (FREITAS et al., 2020). Revisão de 2019 sobre talassemias mostrou que o diagnóstico precoce, terapia transfusional regular e o uso de quelantes de ferro são essenciais para evitar sobrecarga férrica e insuficiência cardíaca (OLIVEIRA et al., 2019). Anemia aplásica, embora rara, foi tema de revisão de literatura em 2022 com dados brasileiros indicando associação a infecções virais, exposição a agrotóxicos e medicamentos mielotóxicos (SILVA et al., 2022). As anemias hereditárias e adquiridas não nutricionais ainda representam desafios assistenciais, principalmente em áreas com menor cobertura de serviços especializados. Apesar da existência de protocolos clínicos e tratamentos eficazes, como a hidroxiureia, a inequidade de acesso e o diagnóstico tardio ainda comprometem os resultados clínicos, sobretudo na população com doença falciforme. A sobrecarga nos centros hematológicos e a necessidade de seguimento multidisciplinar apontam para a urgência em ampliar o acesso e qualificação da rede de atenção especializada. As anemias da série vermelha não nutricionais exigem atenção contínua das políticas públicas de saúde no Brasil. Evidências científicas nacionais e internacionais confirmam a alta carga de morbidade associada, especialmente nas hemoglobinopatias. O fortalecimento do rastreio neonatal, acesso à terapia adequada e capacitação das equipes de saúde são fundamentais para mudar o panorama dessas doenças no país.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
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Iron Metabolism and Disorders
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