IMPACTO DA DISTÂNCIA AO HEMOCENTRO SOBRE OS NÍVEIS DE HEMOGLOBINA EM PACIENTES COM ANEMIA FALCIFORME: ANÁLISE ESTRATIFICADA POR SEXO

A anemia falciforme demanda acompanhamento contínuo em hemocentros, sendo a distância até esses serviços um fator que pode afetar diretamente os resultados clínicos. Diferenças de gênero no acesso e na adesão ao acompanhamento podem acentuar desigualdades, refletindo-se nos níveis de hemoglobina (Hb). Analisar numericamente a relação entre distância ao hemocentro e níveis de Hb em pacientes com anemia falciforme, estratificando por sexo e explorando possíveis desigualdades no acesso à saúde. Estudo transversal com dados de Hb e distância do domicílio ao hemocentro. Pacientes foram estratificados por sexo: feminino (F) e masculino (M). Foi construída dispersão com linhas de tendência linear para cada grupo. A inclinação das linhas foi utilizada para estimar a variação da Hb conforme a distância. Mulheres apresentaram linha de tendência com declínio de aproximadamente 0,005 g/dL de Hb por km adicional até o hemocentro, partindo de média estimada de 9,6 g/dL para distâncias próximas de zero e chegando a cerca de 8,9 g/dL em torno de 150 km. Homens exibiram declínio mais suave, de cerca de 0,002 g/dL por km, com média inicial estimada de 10,1 g/dL próxima ao hemocentro e cerca de 9,8 g/dL a 150 km. Além disso, a dispersão indica maior variabilidade nos níveis de Hb entre mulheres, incluindo valores inferiores a 7,0 g/dL em distâncias intermediárias (70–120 km), enquanto nos homens a maioria dos valores manteve-se acima de 8,0 g/dL em todas as distâncias. O declínio mais acentuado da Hb no grupo feminino, aliado à maior variabilidade e ocorrência de valores críticos, sugere que a distância ao hemocentro impacta mais fortemente as mulheres. Fatores socioeconômicos, sobrecarga doméstica e barreiras de mobilidade podem contribuir para menor adesão a consultas e tratamentos, potencializando o efeito negativo da distância. Homens parecem manter maior estabilidade nos níveis de Hb, possivelmente refletindo diferenças no padrão de acesso e utilização dos serviços. A análise quantitativa confirma que a distância ao hemocentro tem impacto negativo mais acentuado sobre os níveis de hemoglobina em mulheres com anemia falciforme, reforçando a necessidade de políticas específicas que incluam descentralização de serviços, transporte assistido e estratégias de acompanhamento direcionadas para reduzir a desigualdade de acesso.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104156
Primary Topic
Iron Metabolism and Disorders
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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article

IMPACTO DA DISTÂNCIA AO HEMOCENTRO SOBRE OS NÍVEIS DE HEMOGLOBINA EM PACIENTES COM ANEMIA FALCIFORME: ANÁLISE ESTRATIFICADA POR SEXO

Débora Cristina de Oliveira, ANB Costa, AMR Pinheiro, Vincenzo Pinto et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Iron Metabolism and Disorders
article

IMPACTO DA DISTÂNCIA AO HEMOCENTRO SOBRE OS NÍVEIS DE HEMOGLOBINA EM PACIENTES COM ANEMIA FALCIFORME: ANÁLISE ESTRATIFICADA POR SEXO

Débora Cristina de Oliveira, ANB Costa, AMR Pinheiro, Vincenzo Pinto, Deborah Gaído Aragão, Marcos Jácome de Araújo, JJDN Costa, FRAF Gomes, Maria Yasmim Moura Martins, AKA Arcanjo
article en

Abstract

A anemia falciforme demanda acompanhamento contínuo em hemocentros, sendo a distância até esses serviços um fator que pode afetar diretamente os resultados clínicos. Diferenças de gênero no acesso e na adesão ao acompanhamento podem acentuar desigualdades, refletindo-se nos níveis de hemoglobina (Hb). Analisar numericamente a relação entre distância ao hemocentro e níveis de Hb em pacientes com anemia falciforme, estratificando por sexo e explorando possíveis desigualdades no acesso à saúde. Estudo transversal com dados de Hb e distância do domicílio ao hemocentro. Pacientes foram estratificados por sexo: feminino (F) e masculino (M). Foi construída dispersão com linhas de tendência linear para cada grupo. A inclinação das linhas foi utilizada para estimar a variação da Hb conforme a distância. Mulheres apresentaram linha de tendência com declínio de aproximadamente 0,005 g/dL de Hb por km adicional até o hemocentro, partindo de média estimada de 9,6 g/dL para distâncias próximas de zero e chegando a cerca de 8,9 g/dL em torno de 150 km. Homens exibiram declínio mais suave, de cerca de 0,002 g/dL por km, com média inicial estimada de 10,1 g/dL próxima ao hemocentro e cerca de 9,8 g/dL a 150 km. Além disso, a dispersão indica maior variabilidade nos níveis de Hb entre mulheres, incluindo valores inferiores a 7,0 g/dL em distâncias intermediárias (70–120 km), enquanto nos homens a maioria dos valores manteve-se acima de 8,0 g/dL em todas as distâncias. O declínio mais acentuado da Hb no grupo feminino, aliado à maior variabilidade e ocorrência de valores críticos, sugere que a distância ao hemocentro impacta mais fortemente as mulheres. Fatores socioeconômicos, sobrecarga doméstica e barreiras de mobilidade podem contribuir para menor adesão a consultas e tratamentos, potencializando o efeito negativo da distância. Homens parecem manter maior estabilidade nos níveis de Hb, possivelmente refletindo diferenças no padrão de acesso e utilização dos serviços. A análise quantitativa confirma que a distância ao hemocentro tem impacto negativo mais acentuado sobre os níveis de hemoglobina em mulheres com anemia falciforme, reforçando a necessidade de políticas específicas que incluam descentralização de serviços, transporte assistido e estratégias de acompanhamento direcionadas para reduzir a desigualdade de acesso.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Federal do Ceará (BR), Instituto Superior de Teologia Aplicada (BR)
Openalex Percentile: Top 60%
Iron Metabolism and Disorders
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