RELATO DE CASO DE RECIDIVA EM LEUCEMIA LINFOIDE AGUDA E SUAS COMPLEXIDADES BIOLÓGICAS

A Leucemia Linfoide Aguda (LLA) é caracterizada pela infiltração da medula óssea e acúmulo de linfoblastos no fígado, baço e linfonodos. A recidiva desta doença ocorre quando as células leucêmicas voltam a manifestar-se posteriormente a um período de remissão. Este trabalho origina de um estudo maior aprovado pelo CEP (CAAE: 47456221.0.0000.5526). D.F.S., 7-anos, pardo, 25,5 kg, encaminhado para o setor de Onco-hematologia pediátrica da Santa Casa da Misericórdia de Itabuna em 23/08/2021. Foi admitido no hospital com queixa principal de diarreia e febre frequente por quase 1 mês. O paciente apresentou quadro diarreico com evolução de 30 dias, com fezes líquidas, amareladas, sem muco ou sangue e relata episódios de eliminação de parasitas nas fezes, com frequência de 1 a 2 vezes ao dia. Apresentou falta de apetite e vômitos recorrentes; há três dias, houve eliminação de parasito em episódio isolado de vômito, desconforto ao urinar e palidez notada pela mãe há 15 dias. Foi medicado com antiparasitários (provavelmente albendazol) e antibiótico não especificado. Havia recebido transfusão sanguínea em hospital anterior (Iguaí), e devido a piora dos sintomas, foi encaminhado para unidade de referência. O diagnóstico de LLA foi confirmado em 22/09/2022, por biópsia de medula óssea associada à imunofenotipagem com perfil aberrante e foi evidenciado o subtipo B. Exame de líquor inicial evidenciou 36,5 células (interpretação como acidente de punção); novo líquor em 21/09/2021 mostrou-se normal. Imuno-histoquímica não evidenciou excesso de blastos. A resposta inicial ao tratamento mostrou Doença Residual Mínima (DRM) negativa nos dias 19 e 22. O paciente foi classificado como risco intermediário, uma vez que havia feito uso prévio de corticoide antes do diagnóstico. Houve atraso na administração de metotrexato e ausência de PEG-asparaginase por indisponibilidade na instituição. Apresentou efeitos colaterais ao tratamento, como lesão cutânea em local do Cateter Central de Inserção Periférica (PICC), hematúria microscópica com poliúria e febre sem neutropenia. Evoluiu também com infecções das vias aéreas superiores e escabiose. Em 28/02/2024, o quadro clínico permaneceu constante e a DRM da semana 52 seguia negativa, mas o paciente apresentou quadro de parasitose. No retorno em 25/02/2025 foi evidenciada recidiva medular (97% de infiltração blástica) e testicular, sendo iniciado o protocolo St. Jude R15. Apesar da reintrodução do protocolo terapêutico específico para pacientes com LLA, o paciente evoluiu com piora clínica progressiva e faleceu em 17/04/2025. A recidiva na LLA é um grande desafio terapêutico, especialmente com infiltração testicular, onde a quimioterapia tem menor eficácia. No caso apresentado, fatores como início tardio do tratamento, falta de medicamentos essenciais, infecções e parasitoses contribuíram para o desfecho desfavorável. A DRM negativa ao longo do tratamento reforça a imprevisibilidade da recidiva e a necessidade de estudos mais aprofundados sobre o tema. Este caso evidencia os desafios do tratamento da LLA pediátrica, particularmente em regiões com limitações estruturais e dificuldade de acesso a medicamentos. Apesar da DRM negativa, fatores como infiltração testicular, infecções e comorbidades parasitárias contribuíram para a evolução desfavorável.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105134
Primary Topic
T-cell and Retrovirus Studies
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
JAN
FEB
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APR
MAY
JUN
JUL
AUG
SEP
OCT
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RELATO DE CASO DE RECIDIVA EM LEUCEMIA LINFOIDE AGUDA E SUAS COMPLEXIDADES BIOLÓGICAS

Carlos Umberto Pereira, André Paixão, LL Soares, Márcia Sousa Santos et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
T-cell and Retrovirus Studies
article

RELATO DE CASO DE RECIDIVA EM LEUCEMIA LINFOIDE AGUDA E SUAS COMPLEXIDADES BIOLÓGICAS

Carlos Umberto Pereira, André Paixão, LL Soares, Márcia Sousa Santos, MM Aleluia, Rute Elizabete de Souza Rosa Borba, Jacqueline de Souza, Matheus Resende Oliveira, CC da Guarda, RQdS Póvoas
article en

Abstract

A Leucemia Linfoide Aguda (LLA) é caracterizada pela infiltração da medula óssea e acúmulo de linfoblastos no fígado, baço e linfonodos. A recidiva desta doença ocorre quando as células leucêmicas voltam a manifestar-se posteriormente a um período de remissão. Este trabalho origina de um estudo maior aprovado pelo CEP (CAAE: 47456221.0.0000.5526). D.F.S., 7-anos, pardo, 25,5 kg, encaminhado para o setor de Onco-hematologia pediátrica da Santa Casa da Misericórdia de Itabuna em 23/08/2021. Foi admitido no hospital com queixa principal de diarreia e febre frequente por quase 1 mês. O paciente apresentou quadro diarreico com evolução de 30 dias, com fezes líquidas, amareladas, sem muco ou sangue e relata episódios de eliminação de parasitas nas fezes, com frequência de 1 a 2 vezes ao dia. Apresentou falta de apetite e vômitos recorrentes; há três dias, houve eliminação de parasito em episódio isolado de vômito, desconforto ao urinar e palidez notada pela mãe há 15 dias. Foi medicado com antiparasitários (provavelmente albendazol) e antibiótico não especificado. Havia recebido transfusão sanguínea em hospital anterior (Iguaí), e devido a piora dos sintomas, foi encaminhado para unidade de referência. O diagnóstico de LLA foi confirmado em 22/09/2022, por biópsia de medula óssea associada à imunofenotipagem com perfil aberrante e foi evidenciado o subtipo B. Exame de líquor inicial evidenciou 36,5 células (interpretação como acidente de punção); novo líquor em 21/09/2021 mostrou-se normal. Imuno-histoquímica não evidenciou excesso de blastos. A resposta inicial ao tratamento mostrou Doença Residual Mínima (DRM) negativa nos dias 19 e 22. O paciente foi classificado como risco intermediário, uma vez que havia feito uso prévio de corticoide antes do diagnóstico. Houve atraso na administração de metotrexato e ausência de PEG-asparaginase por indisponibilidade na instituição. Apresentou efeitos colaterais ao tratamento, como lesão cutânea em local do Cateter Central de Inserção Periférica (PICC), hematúria microscópica com poliúria e febre sem neutropenia. Evoluiu também com infecções das vias aéreas superiores e escabiose. Em 28/02/2024, o quadro clínico permaneceu constante e a DRM da semana 52 seguia negativa, mas o paciente apresentou quadro de parasitose. No retorno em 25/02/2025 foi evidenciada recidiva medular (97% de infiltração blástica) e testicular, sendo iniciado o protocolo St. Jude R15. Apesar da reintrodução do protocolo terapêutico específico para pacientes com LLA, o paciente evoluiu com piora clínica progressiva e faleceu em 17/04/2025. A recidiva na LLA é um grande desafio terapêutico, especialmente com infiltração testicular, onde a quimioterapia tem menor eficácia. No caso apresentado, fatores como início tardio do tratamento, falta de medicamentos essenciais, infecções e parasitoses contribuíram para o desfecho desfavorável. A DRM negativa ao longo do tratamento reforça a imprevisibilidade da recidiva e a necessidade de estudos mais aprofundados sobre o tema. Este caso evidencia os desafios do tratamento da LLA pediátrica, particularmente em regiões com limitações estruturais e dificuldade de acesso a medicamentos. Apesar da DRM negativa, fatores como infiltração testicular, infecções e comorbidades parasitárias contribuíram para a evolução desfavorável.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Estadual de Santa Cruz (BR), Santa Casa de Misericórdia de Marília (BR)
Openalex Percentile: Top 67%
T-cell and Retrovirus Studies
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