VENETOCLAX COMO TERAPIA DE RESGATE PARA LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA RECIDIVADA/REFRATÁRIA: EVIDÊNCIA DE MUNDO REAL NO BRASIL

No Sistema Único de Saúde (SUS), as opções de resgate para pacientes aptos com leucemia mieloide aguda (LMA) recidivada/refratária (R/R) após indução padrão 7+3 incluem FLAG-IDA ou MEC, ambas associadas a elevada toxicidade e mortalidade precoce. Em pacientes inelegíveis à quimioterapia intensiva ou idosos refratários à citarabina em baixa dose (LDAC), geralmente resta apenas suporte clínico. Combinações venetoclax-citarabina (VEN-ARAC) ou venetoclax- azacitidina (VEN-AZA) têm eficácia comprovada como primeira linha para inelegíveis, mas são pouco disponíveis no SUS. Há escassez de dados nacionais sobre seu uso como terapia de resgate e ponte para transplante alogênico de células-tronco hematopoéticas (TCTH). Descrever a eficácia e segurança da terapia de resgate baseada em venetoclax (VEN) como ponte para TCTH em pacientes com LMA R/R tratados em cenário de vida real no SUS. Estudo retrospectivo de pacientes ≥18 anos tratados com 7+3 ou LDAC entre 05/2022 e 05/2025, em hospital público brasileiro, que evoluíram com LMA R/R e receberam VEN+ARAC ou VEN+AZA. RC foi definida como <5% de blastos medulares; TRC, como o intervalo do início da terapia até RC; e SG, como o tempo do diagnóstico até último seguimento ou óbito. A dose de VEN foi ajustada devido a uso de antifúngicos. Dos 33 pacientes tratados inicialmente (25 com 7+3; 8 com LDAC), 18 desenvolveram LMA R/R (idade mediana 53 anos; 67% <60 anos; 50% homens; 89% pardos/negros). Pela classificação ELN 2022, 61% eram risco intermediário e 22% alto risco; cariótipo indisponível em 11% e NGS não realizado. Entre os 17 pacientes avaliáveis, a taxa global de RC foi 71% (69% após 7+3; 75% após LDAC), com TRC mediano de 28 dias (19–149) e 29 dias (23–30), respectivamente. Dois pacientes foram submetidos a TCTH alogênico após resgate com VEN. A SG em 2 anos foi de 42% no grupo 7+3 e 100% no grupo LDAC. Infecções bacterianas ocorreram em 17% dos pacientes; não houve infecções fúngicas ou virais documentadas. Não houve óbitos nos primeiros 60 dias. A mediana de SG após início do resgate foi de 298 dias (39–1039). Em cenário de vida real no SUS, a terapia de resgate baseada em VEN apresentou altas taxas de remissão completa, resposta rápida, baixa toxicidade e ausência de mortalidade precoce, configurando-se como alternativa eficaz e segura, inclusive como ponte para TCTH, em pacientes com LMA R/R.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104678
Primary Topic
Acute Myeloid Leukemia Research
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
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VENETOCLAX COMO TERAPIA DE RESGATE PARA LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA RECIDIVADA/REFRATÁRIA: EVIDÊNCIA DE MUNDO REAL NO BRASIL

Alberto Chambela Neto, FD Xavier, José Maurício da Cunha, Ana Paula Negreiros Nunes Alves et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Acute Myeloid Leukemia Research
article

VENETOCLAX COMO TERAPIA DE RESGATE PARA LEUCEMIA MIELOIDE AGUDA RECIDIVADA/REFRATÁRIA: EVIDÊNCIA DE MUNDO REAL NO BRASIL

Alberto Chambela Neto, FD Xavier, José Maurício da Cunha, Ana Paula Negreiros Nunes Alves, FS Oliveira, I Escarlate Hannes, V Cavalcante Monici, NC de Sousa Misael
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Abstract

No Sistema Único de Saúde (SUS), as opções de resgate para pacientes aptos com leucemia mieloide aguda (LMA) recidivada/refratária (R/R) após indução padrão 7+3 incluem FLAG-IDA ou MEC, ambas associadas a elevada toxicidade e mortalidade precoce. Em pacientes inelegíveis à quimioterapia intensiva ou idosos refratários à citarabina em baixa dose (LDAC), geralmente resta apenas suporte clínico. Combinações venetoclax-citarabina (VEN-ARAC) ou venetoclax- azacitidina (VEN-AZA) têm eficácia comprovada como primeira linha para inelegíveis, mas são pouco disponíveis no SUS. Há escassez de dados nacionais sobre seu uso como terapia de resgate e ponte para transplante alogênico de células-tronco hematopoéticas (TCTH). Descrever a eficácia e segurança da terapia de resgate baseada em venetoclax (VEN) como ponte para TCTH em pacientes com LMA R/R tratados em cenário de vida real no SUS. Estudo retrospectivo de pacientes ≥18 anos tratados com 7+3 ou LDAC entre 05/2022 e 05/2025, em hospital público brasileiro, que evoluíram com LMA R/R e receberam VEN+ARAC ou VEN+AZA. RC foi definida como <5% de blastos medulares; TRC, como o intervalo do início da terapia até RC; e SG, como o tempo do diagnóstico até último seguimento ou óbito. A dose de VEN foi ajustada devido a uso de antifúngicos. Dos 33 pacientes tratados inicialmente (25 com 7+3; 8 com LDAC), 18 desenvolveram LMA R/R (idade mediana 53 anos; 67% <60 anos; 50% homens; 89% pardos/negros). Pela classificação ELN 2022, 61% eram risco intermediário e 22% alto risco; cariótipo indisponível em 11% e NGS não realizado. Entre os 17 pacientes avaliáveis, a taxa global de RC foi 71% (69% após 7+3; 75% após LDAC), com TRC mediano de 28 dias (19–149) e 29 dias (23–30), respectivamente. Dois pacientes foram submetidos a TCTH alogênico após resgate com VEN. A SG em 2 anos foi de 42% no grupo 7+3 e 100% no grupo LDAC. Infecções bacterianas ocorreram em 17% dos pacientes; não houve infecções fúngicas ou virais documentadas. Não houve óbitos nos primeiros 60 dias. A mediana de SG após início do resgate foi de 298 dias (39–1039). Em cenário de vida real no SUS, a terapia de resgate baseada em VEN apresentou altas taxas de remissão completa, resposta rápida, baixa toxicidade e ausência de mortalidade precoce, configurando-se como alternativa eficaz e segura, inclusive como ponte para TCTH, em pacientes com LMA R/R.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade de Brasília (BR), Hospital Universitário de Brasília (BR)
Openalex Percentile: Top 61%
Acute Myeloid Leukemia Research
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