EPIDEMIOLOGIA E MANEJO DAS NEOPLASIAS HEMATOLÓGICAS NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA

As neoplasias hematológicas são o tipo de câncer que afeta o sangue e tecidos que o produzem e estão entre as principais causas de câncer na infância e adolescência. No mundo, a leucemia linfoblástica aguda e os linfomas, em especial o não Hodgkin e o de Hodgkin, lideram entre esses tumores. Além disso, se destacam pela alta incidência e impacto clínico, apresentando rápida evolução e exigindo abordagens diagnóstica e terapêutica ágeis. Compreender o cenário epidemiológico das neoplasias hematológicas no público infantojuvenil, considerando dados mundiais e nacionais, e alertar a importância do diagnóstico precoce no contexto brasileiro. Trata-se de um estudo descritivo baseado em informações do GLOBOCAN 2022 (IARC/OMS) e da Estimativa 2023 do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Foram incluídas leucemias, linfomas de Hodgkin e não Hodgkin e mieloma múltiplo. Além disso, consultaram-se o Protocolo de Diagnóstico Precoce do Câncer Pediátrico e o guia “Diagnóstico precoce na criança e no adolescente”, ambos do INCA, a fim de reunir orientações sobre sinais de alerta e condutas iniciais. De acordo com o GLOBOCAN 2022, o Brasil registrou 2.311 novos casos em crianças de 0–14 anos, taxa bruta de 5,3 por 100 mil habitantes e risco cumulativo de 0,08% até essa idade. Os números do INCA confirmam a leucemia como a mais frequente, seguida pelos linfomas. No mapa do país, Centro-Oeste, Sul e Sudeste concentram mais casos, algo que merece atenção. O padrão brasileiro se aproxima do mundial, mas não é homogêneo. As regiões com mais casos podem refletir maior exposição a fatores ambientais e ocupacionais, mas também revelam um fato: onde há mais recursos e infraestrutura, há mais diagnóstico. No universo pediátrico, o tempo é fundamental. Quando a doença é detectada cedo e tratada em centros especializados, as taxas de sobrevida podem superar 80%. No entanto, a inespecificidade dos sintomas iniciais impactam diretamente na investigação e diagnóstico. Dessa forma, os protocolos nacionais reforçam a importância de treinar a atenção primária para reconhecer sinais de alerta e o rápido encaminhamento. O tratamento, no Brasil, baseia-se em protocolos adaptados, como os do Grupo Brasileiro de Tratamento da Leucemia Infantil (GBTLI). A quimioterapia é o pilar, mas radioterapia e transplante de medula óssea entram em casos específicos. O manejo exige uma abordagem ampla: prevenir e tratar infecções, oferecer suporte transfusional e cuidar da nutrição e do bem- estar psicológico. Cada um desses pontos é peça-chave para um bom desfecho. As neoplasias hematológicas pediátricas reúnem dois extremos: representam grande carga de morbimortalidade, mas oferecem alta chance de cura quando tratadas a tempo. No Brasil, desigualdades regionais ainda pesam no diagnóstico e no acesso ao tratamento. Investir na capacitação da rede básica, fortalecer centros de referência e garantir o uso de protocolos específicos são passos decisivos para aumentar a sobrevida e preservar a qualidade de vida das crianças e adolescentes que enfrentam esse desafio.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105402
Primary Topic
Acute Lymphoblastic Leukemia research
Type
article
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EPIDEMIOLOGIA E MANEJO DAS NEOPLASIAS HEMATOLÓGICAS NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA

AKA Arcanjo, G.M. Barreto, A. D. M. Vasconcelos, Edson Prestes Braga et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Acute Lymphoblastic Leukemia research
article

EPIDEMIOLOGIA E MANEJO DAS NEOPLASIAS HEMATOLÓGICAS NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA

AKA Arcanjo, G.M. Barreto, A. D. M. Vasconcelos, Edson Prestes Braga, MJ Passos, Carla Silva, Marco Antônio da Rocha, Lucca Fernandes de Araújo Dantas
article en

Abstract

As neoplasias hematológicas são o tipo de câncer que afeta o sangue e tecidos que o produzem e estão entre as principais causas de câncer na infância e adolescência. No mundo, a leucemia linfoblástica aguda e os linfomas, em especial o não Hodgkin e o de Hodgkin, lideram entre esses tumores. Além disso, se destacam pela alta incidência e impacto clínico, apresentando rápida evolução e exigindo abordagens diagnóstica e terapêutica ágeis. Compreender o cenário epidemiológico das neoplasias hematológicas no público infantojuvenil, considerando dados mundiais e nacionais, e alertar a importância do diagnóstico precoce no contexto brasileiro. Trata-se de um estudo descritivo baseado em informações do GLOBOCAN 2022 (IARC/OMS) e da Estimativa 2023 do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Foram incluídas leucemias, linfomas de Hodgkin e não Hodgkin e mieloma múltiplo. Além disso, consultaram-se o Protocolo de Diagnóstico Precoce do Câncer Pediátrico e o guia “Diagnóstico precoce na criança e no adolescente”, ambos do INCA, a fim de reunir orientações sobre sinais de alerta e condutas iniciais. De acordo com o GLOBOCAN 2022, o Brasil registrou 2.311 novos casos em crianças de 0–14 anos, taxa bruta de 5,3 por 100 mil habitantes e risco cumulativo de 0,08% até essa idade. Os números do INCA confirmam a leucemia como a mais frequente, seguida pelos linfomas. No mapa do país, Centro-Oeste, Sul e Sudeste concentram mais casos, algo que merece atenção. O padrão brasileiro se aproxima do mundial, mas não é homogêneo. As regiões com mais casos podem refletir maior exposição a fatores ambientais e ocupacionais, mas também revelam um fato: onde há mais recursos e infraestrutura, há mais diagnóstico. No universo pediátrico, o tempo é fundamental. Quando a doença é detectada cedo e tratada em centros especializados, as taxas de sobrevida podem superar 80%. No entanto, a inespecificidade dos sintomas iniciais impactam diretamente na investigação e diagnóstico. Dessa forma, os protocolos nacionais reforçam a importância de treinar a atenção primária para reconhecer sinais de alerta e o rápido encaminhamento. O tratamento, no Brasil, baseia-se em protocolos adaptados, como os do Grupo Brasileiro de Tratamento da Leucemia Infantil (GBTLI). A quimioterapia é o pilar, mas radioterapia e transplante de medula óssea entram em casos específicos. O manejo exige uma abordagem ampla: prevenir e tratar infecções, oferecer suporte transfusional e cuidar da nutrição e do bem- estar psicológico. Cada um desses pontos é peça-chave para um bom desfecho. As neoplasias hematológicas pediátricas reúnem dois extremos: representam grande carga de morbimortalidade, mas oferecem alta chance de cura quando tratadas a tempo. No Brasil, desigualdades regionais ainda pesam no diagnóstico e no acesso ao tratamento. Investir na capacitação da rede básica, fortalecer centros de referência e garantir o uso de protocolos específicos são passos decisivos para aumentar a sobrevida e preservar a qualidade de vida das crianças e adolescentes que enfrentam esse desafio.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
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Acute Lymphoblastic Leukemia research
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