MONITORAMENTO DA DEfiCIÊNCIA DE FERRO EM DOADORES DE SANGUE: UMA ANÁLISE INSTITUCIONAL NO HEMOCENTRO DE SERGIPE
O ferro desempenha um papel essencial nos processos fisiológicos do organismo humano, estando diretamente envolvido na eritropoese, no transporte de oxigênio, na síntese de DNA e na atividade enzimática intracelular. No contexto hemoterápico, a deficiência de ferro em doadores de sangue representa um desafio crítico, pois compromete a saúde do voluntário e a segurança transfusional. O reconhecimento precoce dessa condição é indispensável para prevenir a depleção das reservas de ferro, principalmente em doadores habituais, evitando a progressão para quadros de anemia ferropênica. Analisar a prevalência e o perfil epidemiológico da deficiência de ferro em candidatos à doação de sangue atendidos no Hemocentro Coordenador do Estado de Sergipe (HEMOSE), no ano de 2024. Trata-se de um estudo transversal, retrospectivo e descritivo, baseado na análise dos registros laboratoriais da triagem hematológica dos candidatos à doação de sangue, compreendendo o período de janeiro a dezembro de 2024. Os dados foram obtidos da base informatizada institucional e processados por meio de estatística descritiva, com categorização por sexo, local de residência e frequência do tipo de doador (primeira vez ou repetido). O parâmetro utilizado para diagnóstico da deficiência de ferro baseou-se nos critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2020) e nas normativas vigentes do Ministério da Saúde.Durante o ano de 2024, foram registradas 14.562 doações, das quais 698 doadores (4,7%) apresentaram deficiência de ferro. Dentre estes, 83,3% (583) eram do sexo feminino e 16,4% (115) do sexo masculino, revelando um predomínio significativo entre as mulheres. Em relação ao local de residência, 59,7% (n = 412) dos casos eram oriundos de áreas urbanas e 40,2% (n = 277) de áreas rurais. A prevalência foi maior entre doadores frequentes, sugerindo um esgotamento progressivo das reservas de ferro em virtude de doações sucessivas. A elevada taxa entre os doadores habituais reforça a necessidade de estratégias preventivas que incluam: Monitoramento regular dos níveis de ferritina; Intervalos maiores entre doações; Suplementação de ferro quando indicada. Embora os critérios hemoglobínicos da triagem excluam anemias evidentes, não impedem a aprovação de doadores com sideropenia subclínica. Assim, a avaliação mais ampla dos estoques de ferro deve ser considerada como ação de segurança hemoterápica.A deficiência de ferro permanece como condição prevalente entre candidatos à doação, especialmente do sexo feminino e doadores frequentes. O presente estudo destaca a importância da vigilância laboratorial e da educação em saúde como pilares para garantir a integridade clínica do doador e a sustentabilidade do processo transfusional.
Authors
- AP Barreto Prata Silva (ORCID: https://orcid.org/0000-0001-9364-948X)
- WS Teles
- JM de Menezes
- FE Celestino do Carmo
- D Abilio (ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5943-2447)
- CM de Souza Neto (ORCID: https://orcid.org/0000-0002-2469-4655)
- RD Santos
- MN Andrade
- FK Fraga Oliveira (ORCID: https://orcid.org/0000-0001-8624-6463)
- RdO Fontes Farrapeira
Institutions
- Fundação Centro de Hematologia e Hemoterapia de Minas Gerais (BR)
Publication Details
- Journal
- Hematology Transfusion and Cell Therapy
- Published
- 2025-10-01
- DOI
- https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105754
- Primary Topic
- Iron Metabolism and Disorders
- Type
- article
- Field-Weighted Citation Impact
- 0.00