ALOIMUNIZAÇÃO ERITROCITÁRIA EM PACIENTES COM DOENÇA FALCIFORME: ANÁLISE DE FENÓTIPOS ERITROCITÁRIOS E IMPACTO TRANSFUSIONAL EM UMA COORTE BRASILEIRA

A aloimunização eritrocitária é uma complicação recorrente da terapia transfusional em pacientes com doença falciforme (DF), influenciada por disparidades antigênicas entre doadores e receptores, polimorfismo genético do sistema RH e inflamação crônica da DF. Analisar o perfil fenotípico eritrocitário e a ocorrência de aloanticorpos em pacientes com DF, correlacionando-os à exposição transfusional e à imunogenicidade dos principais antígenos. Estudo retrospectivo e descritivo (2010–2024) de pacientes adultos com DF aloimunizados e não aloimunizados (PAI+ e PAI−) e do perfil antigênico de doadores do HEMOSE. Variáveis: idade, sexo, número de transfusões, fenótipos ABO, RH, KEL, MNS, FY, JK, P1PK, LE, LU e especificidade de aloanticorpos/autoanticorpos. Dados foram estruturados em planilhas, importados para o R (v.4.5.0) com readxl e analisados com os pacotes table1, ggplot2, dplyr e igraph. Aplicaram-se testes t de Student, Mann-Whitney, qui-quadrado ou Fisher. Coocorrência de aloanticorpos foi representada em redes modulares. Regressão binomial (glm) estimou a associação entre transfusões e aloanticorpos (OR; IC95%). A exposição antigênica foi estimada pelo método de Giblett.Aloimunização foi identificada em 24,81% dos pacientes sendo anti-RH3 e anti-KEL1 os aloanticorpos mais frequentes. A análise de coocorrência indicou associações entre anti-KEL1, anti- RH3 e anti-MNS3. O grupo PAI+ recebeu, em média, 13 transfusões versus 5 no grupo PAI− (p < 0,001). Fenótipos como R1Ro, Ror’ e RoRo, comuns em afrodescendentes, mostraram maior associação à aloimunização. Antígenos RH:1,2,3; KEL:1; MNS:3; FY:1,2; JK:2 apresentaram maior imunogenicidade. A aloimunização na DF está fortemente associada à exposição recorrente a antígenos eritrocitários incompatíveis, evidenciada pela maior freqüência de aloanticorpos em pacientes politransfundidos. A maior prevalência de anticorpos anti- RH3 e anti-KEL1, bem como suas associações com anti-MNS3, reforça a relevância dos sistemas RH, KEL e MNS. A predominância de fenótipos como R1Ro, Ror’ e RoRo entre os pacientes aloimunizados destaca o papel da ascendência africana através da sua diversidade antigênica e genética em relação aos doadores locais. Tais incompatibilidades elevam o risco imunológico e justificam a necessidade de estratégias transfusionais baseadas em genotipagem eritrocitária e bancos étnico-fenotípicos, visando à prevenção da aloimunização em populações altamente miscigenadas. A elevada taxa de aloimunização e de coocorrência de aloanticorpos observados reflete a heterogeneidade fenotípica entre doadores locais e pacientes com doença falciforme.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105616
Primary Topic
Blood groups and transfusion
Type
article
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ALOIMUNIZAÇÃO ERITROCITÁRIA EM PACIENTES COM DOENÇA FALCIFORME: ANÁLISE DE FENÓTIPOS ERITROCITÁRIOS E IMPACTO TRANSFUSIONAL EM UMA COORTE BRASILEIRA

Dejka M. Araujo, WS Teles, Paulo Santos, Fernando Rocha Oliveira et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Blood groups and transfusion
article

ALOIMUNIZAÇÃO ERITROCITÁRIA EM PACIENTES COM DOENÇA FALCIFORME: ANÁLISE DE FENÓTIPOS ERITROCITÁRIOS E IMPACTO TRANSFUSIONAL EM UMA COORTE BRASILEIRA

Dejka M. Araujo, WS Teles, Paulo Santos, Fernando Rocha Oliveira, J.P. Reis Neto, Aline de Mattos Silva, M. de Oliveira, A Barreto, Judith Menezes, KF Fukutani
article en

Abstract

A aloimunização eritrocitária é uma complicação recorrente da terapia transfusional em pacientes com doença falciforme (DF), influenciada por disparidades antigênicas entre doadores e receptores, polimorfismo genético do sistema RH e inflamação crônica da DF. Analisar o perfil fenotípico eritrocitário e a ocorrência de aloanticorpos em pacientes com DF, correlacionando-os à exposição transfusional e à imunogenicidade dos principais antígenos. Estudo retrospectivo e descritivo (2010–2024) de pacientes adultos com DF aloimunizados e não aloimunizados (PAI+ e PAI−) e do perfil antigênico de doadores do HEMOSE. Variáveis: idade, sexo, número de transfusões, fenótipos ABO, RH, KEL, MNS, FY, JK, P1PK, LE, LU e especificidade de aloanticorpos/autoanticorpos. Dados foram estruturados em planilhas, importados para o R (v.4.5.0) com readxl e analisados com os pacotes table1, ggplot2, dplyr e igraph. Aplicaram-se testes t de Student, Mann-Whitney, qui-quadrado ou Fisher. Coocorrência de aloanticorpos foi representada em redes modulares. Regressão binomial (glm) estimou a associação entre transfusões e aloanticorpos (OR; IC95%). A exposição antigênica foi estimada pelo método de Giblett.Aloimunização foi identificada em 24,81% dos pacientes sendo anti-RH3 e anti-KEL1 os aloanticorpos mais frequentes. A análise de coocorrência indicou associações entre anti-KEL1, anti- RH3 e anti-MNS3. O grupo PAI+ recebeu, em média, 13 transfusões versus 5 no grupo PAI− (p < 0,001). Fenótipos como R1Ro, Ror’ e RoRo, comuns em afrodescendentes, mostraram maior associação à aloimunização. Antígenos RH:1,2,3; KEL:1; MNS:3; FY:1,2; JK:2 apresentaram maior imunogenicidade. A aloimunização na DF está fortemente associada à exposição recorrente a antígenos eritrocitários incompatíveis, evidenciada pela maior freqüência de aloanticorpos em pacientes politransfundidos. A maior prevalência de anticorpos anti- RH3 e anti-KEL1, bem como suas associações com anti-MNS3, reforça a relevância dos sistemas RH, KEL e MNS. A predominância de fenótipos como R1Ro, Ror’ e RoRo entre os pacientes aloimunizados destaca o papel da ascendência africana através da sua diversidade antigênica e genética em relação aos doadores locais. Tais incompatibilidades elevam o risco imunológico e justificam a necessidade de estratégias transfusionais baseadas em genotipagem eritrocitária e bancos étnico-fenotípicos, visando à prevenção da aloimunização em populações altamente miscigenadas. A elevada taxa de aloimunização e de coocorrência de aloanticorpos observados reflete a heterogeneidade fenotípica entre doadores locais e pacientes com doença falciforme.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Federal de Sergipe (BR), Fundação Centro de Hematologia e Hemoterapia de Minas Gerais (BR)
Openalex Percentile: Top 61%
Blood groups and transfusion
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