ASSOCIAÇÃO ENTRE CÂNCER COLORRETAL E ANEMIA FERROPRIVA: REVISÃO BASEADA EM EVIDÊNCIAS RECENTES
A anemia ferropriva (AF) é a deficiência nutricional mais comum e pode ser manifestação inicial de câncer colorretal (CCR), especialmente em tumores do cólon direito. A fisiopatologia envolve perda sanguínea crônica e inflamação tumoral, levando à deficiência absoluta ou funcional de ferro. A identificação precoce é relevante, pois a AF pode ser a única pista clínica para diagnóstico. Estudos recentes destacam a importância da triagem de AF em adultos, visto que até 64% dos pacientes com CCR apresentam deficiência de ferro, frequentemente associada a estágios avançados e pior prognóstico. Revisar a relação entre AF e CCR, explorando prevalência, mecanismos fisiopatológicos e estratégias diagnósticas e terapêuticas recentes, com ênfase em condutas no período pré-operatório. Realizou-se busca na base PubMed, últimos 12 meses, idiomas português e inglês, com os termos: “colorectal cancer”, “intestinal cancer”, “iron deficiency anemia”, combinados com operadores booleanos AND/OR. Foram incluídos estudos observacionais, ensaios clínicos e revisões, excluindo-se relatos de caso e artigos pagos sem acesso integral. A AF em CCR resulta de hemorragia oculta, inflamação e aumento de hepcidina, que limita a disponibilidade de ferro (deficiência funcional). Tumores do cólon direito estão mais associados à AF devido ao maior espaço luminal e sangramento silencioso. A presença de AF relaciona-se a maior invasão linfática e estadiamento avançado. O teste imunoquímico fecal (FIT) demonstrou sensibilidade ≅ 90% e especificidade ≅ 81% na detecção de neoplasias avançadas em pacientes com deficiência de ferro. No pré-operatório, a AF aumenta a necessidade transfusional e complicações; o ferro intravenoso eleva a hemoglobina e reduz transfusões, sendo alternativa segura. Estratégias de rastreio baseadas em ferritina sérica e FIT podem permitir diagnóstico precoce e otimizar o prognóstico. A anemia ferropriva é achado frequente no CCR e deve ser valorizada como sinal de alerta, especialmente em pacientes com fatores de risco ou sintomas gastrointestinais inespecíficos. Diferenciar deficiência absoluta da funcional contribui para direcionar tratamento e estimar prognóstico. Intervenções como reposição de ferro IV no pré-operatório e uso de FIT em indivíduos com deficiência de ferro apresentam potencial para reduzir morbimortalidade.
Authors
- CDO Christoff
- FH Malinoski
Institutions
- Universidade Estadual de Ponta Grossa (BR)
- Universidade Positivo (BR)
Publication Details
- Journal
- Hematology Transfusion and Cell Therapy
- Published
- 2025-10-01
- DOI
- https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104072
- Primary Topic
- Iron Metabolism and Disorders
- Type
- article
- Field-Weighted Citation Impact
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