ANÁLISE DE MIELOGRAMA EM EQUINO: RELATO DE CASO DE DISERITROPOIESE HIPERPLÁSICA ASSOCIADA ERITROFAGOCITOSE COM DISMEGACARIOCITOPOIESE

A diseritropoiese hiperplásica caracteriza-se pela produção excessiva de precursores eritroides anormais ou defeituosos, resultando em eritropoiese ineficaz nos quadros anêmicos, ocorrendo de forma primária ou secundária às enfermidades subjacentes. Enquanto a dismegacariocitopoiese são morfologias anormais dos megacariócitos que promovem distúrbios na hemostasia primária. A eritrofagocitose refere-se à fagocitose de hemácias ou seus precursores, podendo ocorrer na circulação, em órgãos hematopoiéticos ou na medula óssea. Essas condições são pouco descritas em equinos, devido à baixa realização de mielograma na espécie. Relatar um caso de diseritropoiese hiperplásica associada à eritrofagocitose e dismegacariocitopoiese em equino, por meio do mielograma. Atendeu-se equino, fêmea, 14 anos de idade, da raça Paint Horse, com apatia, letargia e cólicas, associado a anemia normocítica normocrômica homogênea, com plaquetose e hipoproteinemia persistente. O histórico incluía úlceras gástricas em tratamento. Sem melhora clínica e laboratorial, e com painel infeccioso negativo, foi solicitado mielograma para elucidação diagnóstica. Após sedação e contenção em estação, realizou-se pequena incisão esternal e coleta do material medular com agulhas 15G. A amostra apresentou-se com alta celularidade, grande depósito de ferro, moderado infiltrado gorduroso e mínima contaminação sanguínea. As séries mieloide e linfoplasmocitária estavam normoplásicas, enquanto a megacariocítica, embora em quantidade adequada, apresentava características displásicas, retardo maturativo, promegacariócitos, megacariócitos basofílicos, micromegacariócitos, formas anãs e emperipolese. A série mono- macrofágica apresentava-se com macrófagos espumosos contendo pirenócitos fagocitados, indicando eritrofagocitose ativa. A série eritroide apresentou-se hiperplasica com morfologia displásica, retardo na maturação, assincronia núcleo-citoplasma, desvio à esquerda, núcleos bizarros, multinucleação, presença de pirenócitos livres ou fagocitados e metarrubrícitos com corpos tingíveis intracitoplasmáticos. A relação M:E estava reduzida (0,6:1), indicando predomínio eritroide. Como equinos não liberam reticulócitos em circulação, foi realizada a contagem no material medular, evidenciando baixa regeneração (0,9%; referência > 5% para espécie), indicando maturação incompleta da série vermelha. O mielograma em equinos é pouco realizado devido às limitações logísticas e necessidade de sedação. Contudo, foi necessário para esclarecer a hiperplasia medular associada a displasia eritroide e megacariocítica em paciente com úlceras crônicas e anemia persistente, sugerindo relação entre perda crônica e alta demanda hematopoiética, levando à anemia não regenerativa. A avaliação da regeneração em equinos é desafiadora, pois não ocorre liberação de células imaturas no sangue, tornando o mielograma método de auxílio. A eritrofagocitose medular é rara em equinos, podendo relacionar-se a lesão crônica e distúrbios na hematopoiese, contribuindo para eritropoiese ineficaz. Este relato evidencia a relevância do mielograma na investigação de anemias persistentes em equinos, permitindo o diagnóstico de distúrbios hematopoiéticos complexos, auxiliando o manejo clínico e prognóstico na espécie.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105047
Primary Topic
Hypertrophic osteoarthropathy and related conditions
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
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ANÁLISE DE MIELOGRAMA EM EQUINO: RELATO DE CASO DE DISERITROPOIESE HIPERPLÁSICA ASSOCIADA ERITROFAGOCITOSE COM DISMEGACARIOCITOPOIESE

JA Santos, MC Souza, JC Massitel
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Hypertrophic osteoarthropathy and related conditions
article

ANÁLISE DE MIELOGRAMA EM EQUINO: RELATO DE CASO DE DISERITROPOIESE HIPERPLÁSICA ASSOCIADA ERITROFAGOCITOSE COM DISMEGACARIOCITOPOIESE

JA Santos, MC Souza, JC Massitel
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Abstract

A diseritropoiese hiperplásica caracteriza-se pela produção excessiva de precursores eritroides anormais ou defeituosos, resultando em eritropoiese ineficaz nos quadros anêmicos, ocorrendo de forma primária ou secundária às enfermidades subjacentes. Enquanto a dismegacariocitopoiese são morfologias anormais dos megacariócitos que promovem distúrbios na hemostasia primária. A eritrofagocitose refere-se à fagocitose de hemácias ou seus precursores, podendo ocorrer na circulação, em órgãos hematopoiéticos ou na medula óssea. Essas condições são pouco descritas em equinos, devido à baixa realização de mielograma na espécie. Relatar um caso de diseritropoiese hiperplásica associada à eritrofagocitose e dismegacariocitopoiese em equino, por meio do mielograma. Atendeu-se equino, fêmea, 14 anos de idade, da raça Paint Horse, com apatia, letargia e cólicas, associado a anemia normocítica normocrômica homogênea, com plaquetose e hipoproteinemia persistente. O histórico incluía úlceras gástricas em tratamento. Sem melhora clínica e laboratorial, e com painel infeccioso negativo, foi solicitado mielograma para elucidação diagnóstica. Após sedação e contenção em estação, realizou-se pequena incisão esternal e coleta do material medular com agulhas 15G. A amostra apresentou-se com alta celularidade, grande depósito de ferro, moderado infiltrado gorduroso e mínima contaminação sanguínea. As séries mieloide e linfoplasmocitária estavam normoplásicas, enquanto a megacariocítica, embora em quantidade adequada, apresentava características displásicas, retardo maturativo, promegacariócitos, megacariócitos basofílicos, micromegacariócitos, formas anãs e emperipolese. A série mono- macrofágica apresentava-se com macrófagos espumosos contendo pirenócitos fagocitados, indicando eritrofagocitose ativa. A série eritroide apresentou-se hiperplasica com morfologia displásica, retardo na maturação, assincronia núcleo-citoplasma, desvio à esquerda, núcleos bizarros, multinucleação, presença de pirenócitos livres ou fagocitados e metarrubrícitos com corpos tingíveis intracitoplasmáticos. A relação M:E estava reduzida (0,6:1), indicando predomínio eritroide. Como equinos não liberam reticulócitos em circulação, foi realizada a contagem no material medular, evidenciando baixa regeneração (0,9%; referência > 5% para espécie), indicando maturação incompleta da série vermelha. O mielograma em equinos é pouco realizado devido às limitações logísticas e necessidade de sedação. Contudo, foi necessário para esclarecer a hiperplasia medular associada a displasia eritroide e megacariocítica em paciente com úlceras crônicas e anemia persistente, sugerindo relação entre perda crônica e alta demanda hematopoiética, levando à anemia não regenerativa. A avaliação da regeneração em equinos é desafiadora, pois não ocorre liberação de células imaturas no sangue, tornando o mielograma método de auxílio. A eritrofagocitose medular é rara em equinos, podendo relacionar-se a lesão crônica e distúrbios na hematopoiese, contribuindo para eritropoiese ineficaz. Este relato evidencia a relevância do mielograma na investigação de anemias persistentes em equinos, permitindo o diagnóstico de distúrbios hematopoiéticos complexos, auxiliando o manejo clínico e prognóstico na espécie.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Centro Universitário Una (BR), Associação Brasileira de Oncologia Veterinária (BR)
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Hypertrophic osteoarthropathy and related conditions
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