IMPACTO DO POLIMORfiSMO RS11225395 NO GENE MMP8 NAS CRISES VASO-OCLUSIVAS EM PACIENTES PEDIÁTRICOS COM ANEMIA FALCIFORME

A anemia falciforme (AF) é uma doença monogênica caracterizada por uma troca de aminoácidos no gene da beta globina, o que leva a formação da variante hemoglobina S (HbS). Em condições de baixa concentração de oxigênio, a HbS sofre polimerização, tornando as hemácias falcizadas. Essa alteração aumenta o potencial de obstrução do fluxo sanguíneo nos pequenos vasos, mecanismo determinante para a ocorrência das complicações clínicas na AF. Como também, os níveis de hemoglobina fetal (HbF) podem reduzir a gravidade das manifestações da AF, pois diminui a concentração média da HbS nas hemácias. Considerando a heterogeneidade clínica da doença, o estudo de marcadores moleculares é necessário para melhor compreensão do prognóstico dos pacientes. Assim, as metaloproteinases de matriz (MMPs) são enzimas que atuam em diferentes processos fisiológicos, como angiogênese e reparo tecidual. Dentre essas enzimas, a MMP8 se destaca por seu papel na regulação do colágeno nos vasos sanguíneos. Polimorfismos dos genes das MMP1 e MMP7 estão associados a maior frequência de crises vaso-oclusivas (CVOs) e complicações cerebrovasculares em pacientes pediátricos com AF. Ademais, o SNP (single nucleotide polymorphism) rs11225395 do gene MMP8 foi relacionado ao acidente vascular cerebral e aterosclerose em pacientes sem AF, sendo possível hipotetizar a associação com quadros clínicos adversos em pacientes pediátricos com doença falciforme. O estudo teve como objetivo associar o polimorfismo rs11225395 do gene da MMP8 com complicações clínicas de pacientes pediátricos com AF. Foram selecionados indivíduos acompanhados pelo Programa de Triagem Neonatal da Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco. A genotipagem do polimorfismo rs11225395 do gene da MMP8 foi feita por PCR em tempo real. Por fim, foi feita a análise estatística pelo software SPSS Statistics 21.0 e GraphPad Prism 8.0, e todos os valores de P foram ajustados para os dois lados com nível de significância estatística de 0,05. Este estudo é um subprojeto de uma pesquisa aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CAAE: 46931121.3.0000.5208). Dentre os 264 pacientes com AF elegidos, 132 (50%) eram do sexo feminino e 132 (50%) do sexo masculino, com a mediana de idade de 15 anos (variação: 7 - 21). Foi calculado a frequência genotípica, na qual 127 (48,1%) pacientes possuíam o genótipo homozigoto selvagem GG, 114 (43,2%) eram heterozigotos AG e 23 (8,7%) eram homozigotos selvagem AA, apresentando-se dentro do equilíbrio de Hardy-Weinberg (p=0,71). Para análises de associação, adotou-se os modelos de herança dominante, sobredominante, recessivo e codominante. De acordo com o modelo recessivo, observou-se associação do SNP com a menor frequência de CVOs ao ano (p=0,018) e menores percentuais de reticulócitos (p=0,029) no grupo homozigoto selvagem AA. E, apesar da não associação estatística, esse genótipo apresentou níveis mais elevados de HbF em relação aos outros genótipos. Por fim, conclui-se que o indivíduos com genótipo homozigoto selvagem AA são menos suscetíveis a ocorrência de CVOs ao ano em comparação às outras populações estudadas. Esse resultado é respaldado por estudos que sugerem que a substituição do alelo A pelo G regula positivamente a expressão do mRNA, desequilibrando o processo de reparação e degradação do colágeno, aumentando a ocorrência de complicações vasculares. De modo complementar, os níveis mais elevados de HbF no genótipo AA sugerem o possível caráter protetivo neste grupo.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104157
Primary Topic
Hemoglobinopathies and Related Disorders
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
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IMPACTO DO POLIMORfiSMO RS11225395 NO GENE MMP8 NAS CRISES VASO-OCLUSIVAS EM PACIENTES PEDIÁTRICOS COM ANEMIA FALCIFORME

A.D. Silva, Antônio S. Araújo, ARL Araújo, MAC Bezerra et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Hemoglobinopathies and Related Disorders
article

IMPACTO DO POLIMORfiSMO RS11225395 NO GENE MMP8 NAS CRISES VASO-OCLUSIVAS EM PACIENTES PEDIÁTRICOS COM ANEMIA FALCIFORME

A.D. Silva, Antônio S. Araújo, ARL Araújo, MAC Bezerra, Leonardo Cruz de Souza, Gabriela da Silva Arcanjo, G.B. dos Santos, MV Diniz, VEdM Luna, EdS Galdino
article en

Abstract

A anemia falciforme (AF) é uma doença monogênica caracterizada por uma troca de aminoácidos no gene da beta globina, o que leva a formação da variante hemoglobina S (HbS). Em condições de baixa concentração de oxigênio, a HbS sofre polimerização, tornando as hemácias falcizadas. Essa alteração aumenta o potencial de obstrução do fluxo sanguíneo nos pequenos vasos, mecanismo determinante para a ocorrência das complicações clínicas na AF. Como também, os níveis de hemoglobina fetal (HbF) podem reduzir a gravidade das manifestações da AF, pois diminui a concentração média da HbS nas hemácias. Considerando a heterogeneidade clínica da doença, o estudo de marcadores moleculares é necessário para melhor compreensão do prognóstico dos pacientes. Assim, as metaloproteinases de matriz (MMPs) são enzimas que atuam em diferentes processos fisiológicos, como angiogênese e reparo tecidual. Dentre essas enzimas, a MMP8 se destaca por seu papel na regulação do colágeno nos vasos sanguíneos. Polimorfismos dos genes das MMP1 e MMP7 estão associados a maior frequência de crises vaso-oclusivas (CVOs) e complicações cerebrovasculares em pacientes pediátricos com AF. Ademais, o SNP (single nucleotide polymorphism) rs11225395 do gene MMP8 foi relacionado ao acidente vascular cerebral e aterosclerose em pacientes sem AF, sendo possível hipotetizar a associação com quadros clínicos adversos em pacientes pediátricos com doença falciforme. O estudo teve como objetivo associar o polimorfismo rs11225395 do gene da MMP8 com complicações clínicas de pacientes pediátricos com AF. Foram selecionados indivíduos acompanhados pelo Programa de Triagem Neonatal da Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco. A genotipagem do polimorfismo rs11225395 do gene da MMP8 foi feita por PCR em tempo real. Por fim, foi feita a análise estatística pelo software SPSS Statistics 21.0 e GraphPad Prism 8.0, e todos os valores de P foram ajustados para os dois lados com nível de significância estatística de 0,05. Este estudo é um subprojeto de uma pesquisa aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CAAE: 46931121.3.0000.5208). Dentre os 264 pacientes com AF elegidos, 132 (50%) eram do sexo feminino e 132 (50%) do sexo masculino, com a mediana de idade de 15 anos (variação: 7 - 21). Foi calculado a frequência genotípica, na qual 127 (48,1%) pacientes possuíam o genótipo homozigoto selvagem GG, 114 (43,2%) eram heterozigotos AG e 23 (8,7%) eram homozigotos selvagem AA, apresentando-se dentro do equilíbrio de Hardy-Weinberg (p=0,71). Para análises de associação, adotou-se os modelos de herança dominante, sobredominante, recessivo e codominante. De acordo com o modelo recessivo, observou-se associação do SNP com a menor frequência de CVOs ao ano (p=0,018) e menores percentuais de reticulócitos (p=0,029) no grupo homozigoto selvagem AA. E, apesar da não associação estatística, esse genótipo apresentou níveis mais elevados de HbF em relação aos outros genótipos. Por fim, conclui-se que o indivíduos com genótipo homozigoto selvagem AA são menos suscetíveis a ocorrência de CVOs ao ano em comparação às outras populações estudadas. Esse resultado é respaldado por estudos que sugerem que a substituição do alelo A pelo G regula positivamente a expressão do mRNA, desequilibrando o processo de reparação e degradação do colágeno, aumentando a ocorrência de complicações vasculares. De modo complementar, os níveis mais elevados de HbF no genótipo AA sugerem o possível caráter protetivo neste grupo.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Federal de Pernambuco (BR), Fundação Hemopa (BR)
Openalex Percentile: Top 57%
Hemoglobinopathies and Related Disorders
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