AVALIAÇÃO DA VIA ANG/TIE2 E VEGF-A EM PACIENTES COM LEUCEMIA PROMIELOCÍTICA AGUDA E SUA RELAÇÃO COM PARÂMETROS DA HEMOSTASIA

A leucemia promielocítica aguda (LPA) se destaca entre as leucemias agudas pelo alto risco de complicações hemorrágicas graves associadas a uma coagulopatia característica. Embora a expressão de fatores pró-coagulantes por células leucêmicas contribua para esse quadro, o papel da disfunção endotelial permanece pouco elucidado. Vias que regulam a integridade da barreira endotelial (BE), como o eixo Ang-1/Ang-2 e seu receptor Tie2, além do VEGF-A, podem influenciar o estado pró-coagulante ao modular o equilíbrio entre ativação e quiescência endotelial. Contudo, há escassez de dados sobre essas vias no contexto da LPA, especialmente em comparação com outras formas de leucemia mieloide aguda (LMA). Avaliar os níveis circulantes de mediadores da integridade da BE em pacientes com LPA e outras LMAs, e investigar suas correlações com marcadores de ativação hemostática. Amostras de plasma EDTA de pacientes com LPA (n = 35) e LMA (n = 35), pareados por idade e sexo, foram coletadas no diagnóstico, antes do tratamento. Dados clínicos e laboratoriais foram obtidos dos prontuários. Os níveis dos marcadores endoteliais foram mensurados por ensaios imunológicos (multiplex). As análises estatísticas incluíram comparações entre grupos e correlações de Spearman com parâmetros laboratoriais de ativação hemostática. O estudo foi aprovado pelo comitê de ética, com consentimento informado de todos os participantes. A contagem de blastos na medula óssea foi significativamente maior nos pacientes com LPA (88%) em comparação aos com LMA (80,5%; p = 0,0002). A contagem de leucócitos e os níveis de fibrinogênio foram significativamente menores nos pacientes com LPA, respectivamente: 3,1 (0,32–137,9) vs 14,4 (0,91–150,3) × 10 3 /µL (p = 0,02) e 121,7 (26,0–378,5) vs 384,5 (58,9–705,8) mg/dL (p < 0,0001). Os níveis de Ang-2 foram significativamente mais elevados nos pacientes com LPA em comparação aos com LMA (7.857 [1.629–64.982] vs 4.866 [1.509–51.791] pg/mL; p = 0,02). Por outro lado, os níveis de Ang-1, Tie2 e VEGF-A não apresentaram diferenças estatisticamente significativas entre os grupos. Apesar da ausência de diferença nos níveis absolutos de Ang-1, a razão Ang-2/Ang-1 foi significativamente maior nos pacientes com LPA em comparação às demais LMAs (49,2 [1,7–364,2] vs 12,5 [3,0–120,5]; p = 0,003). Foram observadas correlações significativas entre Ang-1 e fibrinogênio (Rs = 0,50; p = 0,01), e entre Ang-2 e os marcadores P-selectina (Rs = 0,44; p = 0,008), PAI-1 (Rs = 0,38; p = 0,02) e uPAR (Rs = 0,35; p = 0,03). O VEGF-A apresentou correlações com P-selectina (Rs = 0,55; p = 0,0006), PAI-1 (Rs = 0,66; p < 0,0001), uPAR (Rs = 0,84; p < 0,0001) e Tie2 (Rs = 0,66; p < 0,0001). Já o Tie2 correlacionou-se com P-selectina (Rs = 0,52; p = 0,001), PAI-1 (Rs = 0,57; p = 0,0004), uPAR (Rs = 0,69; p < 0,0001) e VEGF-A (Rs = 0,66; p < 0,0001). Não houve associação significativa entre marcadores endoteliais e sangramento. Pacientes com LPA apresentaram um perfil endotelial distinto, com níveis mais elevados de Ang-2 em relação às demais LMAs. As correlações observadas entre esses mediadores e biomarcadores de ativação hemostática sugerem uma possível interação entre disfunção endotelial e mecanismos pró-coagulantes. Embora os dados não permitam estabelecer relações causais, indicam o envolvimento potencial das vias Ang/Tie2 na coagulopatia da LPA. Estudos adicionais são necessários para esclarecer o papel funcional e a relevância dessas vias na ativação endotelial e hemostática.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104505
Primary Topic
Myeloproliferative Neoplasms: Diagnosis and Treatment
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
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ALL TIME
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AVALIAÇÃO DA VIA ANG/TIE2 E VEGF-A EM PACIENTES COM LEUCEMIA PROMIELOCÍTICA AGUDA E SUA RELAÇÃO COM PARÂMETROS DA HEMOSTASIA

CMA Saraiva, IT Borba-Júnior, STO Saad, CRP Moraes et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Myeloproliferative Neoplasms: Diagnosis and Treatment
article

AVALIAÇÃO DA VIA ANG/TIE2 E VEGF-A EM PACIENTES COM LEUCEMIA PROMIELOCÍTICA AGUDA E SUA RELAÇÃO COM PARÂMETROS DA HEMOSTASIA

CMA Saraiva, IT Borba-Júnior, STO Saad, CRP Moraes, PM Campos, BKL Duarte, EV Paula
article en

Abstract

A leucemia promielocítica aguda (LPA) se destaca entre as leucemias agudas pelo alto risco de complicações hemorrágicas graves associadas a uma coagulopatia característica. Embora a expressão de fatores pró-coagulantes por células leucêmicas contribua para esse quadro, o papel da disfunção endotelial permanece pouco elucidado. Vias que regulam a integridade da barreira endotelial (BE), como o eixo Ang-1/Ang-2 e seu receptor Tie2, além do VEGF-A, podem influenciar o estado pró-coagulante ao modular o equilíbrio entre ativação e quiescência endotelial. Contudo, há escassez de dados sobre essas vias no contexto da LPA, especialmente em comparação com outras formas de leucemia mieloide aguda (LMA). Avaliar os níveis circulantes de mediadores da integridade da BE em pacientes com LPA e outras LMAs, e investigar suas correlações com marcadores de ativação hemostática. Amostras de plasma EDTA de pacientes com LPA (n = 35) e LMA (n = 35), pareados por idade e sexo, foram coletadas no diagnóstico, antes do tratamento. Dados clínicos e laboratoriais foram obtidos dos prontuários. Os níveis dos marcadores endoteliais foram mensurados por ensaios imunológicos (multiplex). As análises estatísticas incluíram comparações entre grupos e correlações de Spearman com parâmetros laboratoriais de ativação hemostática. O estudo foi aprovado pelo comitê de ética, com consentimento informado de todos os participantes. A contagem de blastos na medula óssea foi significativamente maior nos pacientes com LPA (88%) em comparação aos com LMA (80,5%; p = 0,0002). A contagem de leucócitos e os níveis de fibrinogênio foram significativamente menores nos pacientes com LPA, respectivamente: 3,1 (0,32–137,9) vs 14,4 (0,91–150,3) × 10 3 /µL (p = 0,02) e 121,7 (26,0–378,5) vs 384,5 (58,9–705,8) mg/dL (p < 0,0001). Os níveis de Ang-2 foram significativamente mais elevados nos pacientes com LPA em comparação aos com LMA (7.857 [1.629–64.982] vs 4.866 [1.509–51.791] pg/mL; p = 0,02). Por outro lado, os níveis de Ang-1, Tie2 e VEGF-A não apresentaram diferenças estatisticamente significativas entre os grupos. Apesar da ausência de diferença nos níveis absolutos de Ang-1, a razão Ang-2/Ang-1 foi significativamente maior nos pacientes com LPA em comparação às demais LMAs (49,2 [1,7–364,2] vs 12,5 [3,0–120,5]; p = 0,003). Foram observadas correlações significativas entre Ang-1 e fibrinogênio (Rs = 0,50; p = 0,01), e entre Ang-2 e os marcadores P-selectina (Rs = 0,44; p = 0,008), PAI-1 (Rs = 0,38; p = 0,02) e uPAR (Rs = 0,35; p = 0,03). O VEGF-A apresentou correlações com P-selectina (Rs = 0,55; p = 0,0006), PAI-1 (Rs = 0,66; p < 0,0001), uPAR (Rs = 0,84; p < 0,0001) e Tie2 (Rs = 0,66; p < 0,0001). Já o Tie2 correlacionou-se com P-selectina (Rs = 0,52; p = 0,001), PAI-1 (Rs = 0,57; p = 0,0004), uPAR (Rs = 0,69; p < 0,0001) e VEGF-A (Rs = 0,66; p < 0,0001). Não houve associação significativa entre marcadores endoteliais e sangramento. Pacientes com LPA apresentaram um perfil endotelial distinto, com níveis mais elevados de Ang-2 em relação às demais LMAs. As correlações observadas entre esses mediadores e biomarcadores de ativação hemostática sugerem uma possível interação entre disfunção endotelial e mecanismos pró-coagulantes. Embora os dados não permitam estabelecer relações causais, indicam o envolvimento potencial das vias Ang/Tie2 na coagulopatia da LPA. Estudos adicionais são necessários para esclarecer o papel funcional e a relevância dessas vias na ativação endotelial e hemostática.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) (BR)
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Myeloproliferative Neoplasms: Diagnosis and Treatment
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