ALOIMUNIZAÇÃO POR ANTI-A₁ EM PACIENTE PEDIÁTRICO EM SÃO LUÍS - MA: RELATO DE CASO

A aloimunização por anti-A₁ é rara, mas clinicamente relevante, com produção de anticorpos contra o antígeno A₁ em indivíduos do subgrupo A₂, que não o expressam (DAS; BISWAS; SAFI, 2021). Em alguns casos, o anticorpo pode se tornar clinicamente significativo, interferindo em testes pré-transfusionais, causando reações hemolíticas e dificultando a escolha de hemocomponentes compatíveis. Relatar caso de aloimunização por anti-A₁ em criança submetida a múltiplas transfusões, ressaltando desafios laboratoriais e condutas clínicas. Tipagem inicial A RhD positivo, fenotipagem C-, c+, E+, e+, K-, PAI negativa. Até dezembro, recebeu 9 transfusões com hemácias A, sem intercorrências. Em 17/12/2024, testes indicaram incompatibilidade com hemácias A RhD positivo, Coombs direto positivo e PAI negativa. A amostra foi encaminhada ao laboratório de referência em Recife/PE, onde se identificou aloanticorpo anti-A₁ no eluato. A partir de então, recebeu transfusões com hemácias do grupo O RhD positivo, sem eventos adversos. Em 22/01/2025, as provas de compatibilidade com hemácias A voltaram a ser negativas. No total, recebeu 30 transfusões: 9 do grupo A e 21 do grupo O. O anti-A₁ é mais prevalente nos subgrupos A₂ (1–8%) e A₂B (até 35%) e pode surgir após exposições como transfusões ou gestação (DAS; BISWAS; SAFI, 2021). Embora geralmente natural (IgM) e reativo a baixas temperaturas, há relatos de reatividade a 37°C, o que o torna clinicamente significativo (FLEGEL; HENRY, 2018). Casos raros em pacientes A₁ sugerem envolvimento de fatores como infecções, neoplasias ou distúrbios autoimunes (CONTRERAS; HAZLEHURST; ARMITAGE, 1983). Neste relato, a transfusão com hemácias O foi adequada, e a negativação posterior do anticorpo sugere processo autoimune transitório. A conduta transfusional individualizada é essencial, sobretudo em pacientes imunocomprometidos (TEIXEIRA et al., 2024). Casos como este reforçam a importância da vigilância transfusional e da qualificação das equipes para reconhecer anticorpos raros. A conduta adotada evitou reações hemolíticas e garantiu segurança ao paciente, evidenciando a necessidade de investigação minuciosa diante de discrepâncias imuno-hematológicas.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.105617
Primary Topic
Blood groups and transfusion
Type
article
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ALOIMUNIZAÇÃO POR ANTI-A₁ EM PACIENTE PEDIÁTRICO EM SÃO LUÍS - MA: RELATO DE CASO

E. R. C. Lopes, M.L. Figueiredo, AM Ribeiro, Gonçalo Mendes et al.
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Blood groups and transfusion
article

ALOIMUNIZAÇÃO POR ANTI-A₁ EM PACIENTE PEDIÁTRICO EM SÃO LUÍS - MA: RELATO DE CASO

E. R. C. Lopes, M.L. Figueiredo, AM Ribeiro, Gonçalo Mendes, Nadir Pessoa Tavares, TDL Santos, JPL Amorim, Georgina Agnelo de Lima, GS Serejo
article en

Abstract

A aloimunização por anti-A₁ é rara, mas clinicamente relevante, com produção de anticorpos contra o antígeno A₁ em indivíduos do subgrupo A₂, que não o expressam (DAS; BISWAS; SAFI, 2021). Em alguns casos, o anticorpo pode se tornar clinicamente significativo, interferindo em testes pré-transfusionais, causando reações hemolíticas e dificultando a escolha de hemocomponentes compatíveis. Relatar caso de aloimunização por anti-A₁ em criança submetida a múltiplas transfusões, ressaltando desafios laboratoriais e condutas clínicas. Tipagem inicial A RhD positivo, fenotipagem C-, c+, E+, e+, K-, PAI negativa. Até dezembro, recebeu 9 transfusões com hemácias A, sem intercorrências. Em 17/12/2024, testes indicaram incompatibilidade com hemácias A RhD positivo, Coombs direto positivo e PAI negativa. A amostra foi encaminhada ao laboratório de referência em Recife/PE, onde se identificou aloanticorpo anti-A₁ no eluato. A partir de então, recebeu transfusões com hemácias do grupo O RhD positivo, sem eventos adversos. Em 22/01/2025, as provas de compatibilidade com hemácias A voltaram a ser negativas. No total, recebeu 30 transfusões: 9 do grupo A e 21 do grupo O. O anti-A₁ é mais prevalente nos subgrupos A₂ (1–8%) e A₂B (até 35%) e pode surgir após exposições como transfusões ou gestação (DAS; BISWAS; SAFI, 2021). Embora geralmente natural (IgM) e reativo a baixas temperaturas, há relatos de reatividade a 37°C, o que o torna clinicamente significativo (FLEGEL; HENRY, 2018). Casos raros em pacientes A₁ sugerem envolvimento de fatores como infecções, neoplasias ou distúrbios autoimunes (CONTRERAS; HAZLEHURST; ARMITAGE, 1983). Neste relato, a transfusão com hemácias O foi adequada, e a negativação posterior do anticorpo sugere processo autoimune transitório. A conduta transfusional individualizada é essencial, sobretudo em pacientes imunocomprometidos (TEIXEIRA et al., 2024). Casos como este reforçam a importância da vigilância transfusional e da qualificação das equipes para reconhecer anticorpos raros. A conduta adotada evitou reações hemolíticas e garantiu segurança ao paciente, evidenciando a necessidade de investigação minuciosa diante de discrepâncias imuno-hematológicas.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
Universidade Federal da Bahia (BR), Centro Científico Tecnológico - San Luis (AR)
Openalex Percentile: Top 61%
Blood groups and transfusion
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