ANEMIA MEGALOBLÁSTICA ASSOCIADA AO USO PROLONGADO DE METFORMINA

A metformina é amplamente utilizada como primeira escolha no tratamento do diabetes mellitus tipo 2 devido ao seu bom perfil de eficácia e segurança. No entanto, seu uso prolongado tem sido associado à deficiência de vitamina B12, um nutriente essencial para a maturação celular e a síntese de DNA. A carência dessa vitamina pode levar ao desenvolvimento de anemia megaloblástica, caracterizada por eritropoese ineficaz, macrocitose e alterações neurológicas. Embora já reconhecida por diretrizes internacionais, essa complicação permanece subdiagnosticada, principalmente em serviços de atenção primária à saúde. O objetivo deste artigo é avaliar a ocorrência de anemia megaloblástica associada ao uso prolongado de metformina, buscando compreender os mecanismos dessa relação e suas implicações clínicas. Para esta revisão, foram selecionados 21 estudos que abordam a relação entre o desenvolvimento de anemia megaloblástica com o uso prolongado de Metformina. A pesquisa foi conduzida em bases de dados científicos, incluindo PubMed e Scopus, focando em artigos publicados nos últimos dez anos. Os critérios de inclusão foram estudos que avaliaram a anemia megaloblástica em pacientes usuários de metformina. Estudos que não abordaram especificamente o uso do fármaco foram excluídos. Foram considerados artigos de ensaios clínicos randomizados, estudos observacionais e revisões sistemáticas. A literatura aponta que a metformina interfere na absorção ileal da vitamina B12, provavelmente por alteração no transporte mediado por cálcio do complexo vitamina B12-fator intrínseco. A prevalência de deficiência varia de 6% a 30% em pacientes diabéticos que utilizam o fármaco por mais de quatro anos. Manifestações clínicas incluem anemia macrocítica, glossite, parestesias, fraqueza muscular e déficit cognitivo, sendo muitas vezes irreversíveis. Após estudos realizados no país, o governo britânico recomenda monitoramento periódico da vitamina B12 em pacientes em uso contínuo de metformina, especialmente idosos, vegetarianos, e indivíduos com alterações gastrointestinais prévias. A suplementação oral ou intramuscular demonstrou eficácia na correção da deficiência e na reversão do quadro hematológico. Embora haja grandes estudos demonstrando a associação entre metformina e deficiência de vitamina B12, muitos serviços de saúde ainda não incluem o monitoramento regular em protocolos de atenção ao diabético. A ausência de sintomas específicos nos estágios iniciais da deficiência contribui para o subdiagnóstico, sendo comum o reconhecimento tardio apenas após manifestações hematológicas ou neurológicas. Implementar diretrizes clínicas claras, é crucial para prevenir a progressão da deficiência e evitar complicações como anemia megaloblástica e neuropatia irreversível. A integração do rastreamento laboratorial anual da vitamina B12 no manejo do paciente diabético é uma estratégia. Portanto, o uso crônico de metformina está fortemente associado à deficiência de vitamina B12, com risco significativo para o desenvolvimento de anemia megaloblástica. O reconhecimento precoce desse efeito adverso é essencial para evitar desfechos graves. Recomenda-se o monitoramento regular dos níveis séricos de B12 em pacientes diabéticos em uso de metformina. Medidas simples podem contribuir para a prevenção e o manejo eficaz dessa condição subestimada.

Authors

Publication Details

Journal
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Published
2025-10-01
DOI
https://doi.org/10.1016/j.htct.2025.104067
Primary Topic
Folate and B Vitamins Research
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
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ALL TIME
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SEP
OCT
article

ANEMIA MEGALOBLÁSTICA ASSOCIADA AO USO PROLONGADO DE METFORMINA

I Di Gesu Gesteira, MJ Pinheiro Fernandes, M Zuntini do Amaral Marçoleto
Hematology Transfusion and Cell Therapy
Folate and B Vitamins Research
article

ANEMIA MEGALOBLÁSTICA ASSOCIADA AO USO PROLONGADO DE METFORMINA

I Di Gesu Gesteira, MJ Pinheiro Fernandes, M Zuntini do Amaral Marçoleto
article en

Abstract

A metformina é amplamente utilizada como primeira escolha no tratamento do diabetes mellitus tipo 2 devido ao seu bom perfil de eficácia e segurança. No entanto, seu uso prolongado tem sido associado à deficiência de vitamina B12, um nutriente essencial para a maturação celular e a síntese de DNA. A carência dessa vitamina pode levar ao desenvolvimento de anemia megaloblástica, caracterizada por eritropoese ineficaz, macrocitose e alterações neurológicas. Embora já reconhecida por diretrizes internacionais, essa complicação permanece subdiagnosticada, principalmente em serviços de atenção primária à saúde. O objetivo deste artigo é avaliar a ocorrência de anemia megaloblástica associada ao uso prolongado de metformina, buscando compreender os mecanismos dessa relação e suas implicações clínicas. Para esta revisão, foram selecionados 21 estudos que abordam a relação entre o desenvolvimento de anemia megaloblástica com o uso prolongado de Metformina. A pesquisa foi conduzida em bases de dados científicos, incluindo PubMed e Scopus, focando em artigos publicados nos últimos dez anos. Os critérios de inclusão foram estudos que avaliaram a anemia megaloblástica em pacientes usuários de metformina. Estudos que não abordaram especificamente o uso do fármaco foram excluídos. Foram considerados artigos de ensaios clínicos randomizados, estudos observacionais e revisões sistemáticas. A literatura aponta que a metformina interfere na absorção ileal da vitamina B12, provavelmente por alteração no transporte mediado por cálcio do complexo vitamina B12-fator intrínseco. A prevalência de deficiência varia de 6% a 30% em pacientes diabéticos que utilizam o fármaco por mais de quatro anos. Manifestações clínicas incluem anemia macrocítica, glossite, parestesias, fraqueza muscular e déficit cognitivo, sendo muitas vezes irreversíveis. Após estudos realizados no país, o governo britânico recomenda monitoramento periódico da vitamina B12 em pacientes em uso contínuo de metformina, especialmente idosos, vegetarianos, e indivíduos com alterações gastrointestinais prévias. A suplementação oral ou intramuscular demonstrou eficácia na correção da deficiência e na reversão do quadro hematológico. Embora haja grandes estudos demonstrando a associação entre metformina e deficiência de vitamina B12, muitos serviços de saúde ainda não incluem o monitoramento regular em protocolos de atenção ao diabético. A ausência de sintomas específicos nos estágios iniciais da deficiência contribui para o subdiagnóstico, sendo comum o reconhecimento tardio apenas após manifestações hematológicas ou neurológicas. Implementar diretrizes clínicas claras, é crucial para prevenir a progressão da deficiência e evitar complicações como anemia megaloblástica e neuropatia irreversível. A integração do rastreamento laboratorial anual da vitamina B12 no manejo do paciente diabético é uma estratégia. Portanto, o uso crônico de metformina está fortemente associado à deficiência de vitamina B12, com risco significativo para o desenvolvimento de anemia megaloblástica. O reconhecimento precoce desse efeito adverso é essencial para evitar desfechos graves. Recomenda-se o monitoramento regular dos níveis séricos de B12 em pacientes diabéticos em uso de metformina. Medidas simples podem contribuir para a prevenção e o manejo eficaz dessa condição subestimada.

Hematology Transfusion and Cell TherapyVol. 47
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Folate and B Vitamins Research
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