O Julgamento da ADPF 708 e o Status Supranacional dos Tratados de Direito Ambiental

Contextualização: Diante dos acordos internacionais firmados perante os Estados, criou-se um dever de respeito ao meio ambiente, objetivando controlar as emissões de gases de efeito estufa (GEE) além de mitigar os desequilíbrios do ecossistema. O presente artigo busca apresentar de forma concisa o julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 708, no tocante ao voto e a fundamentação dos Ministros na medida em que ficaram equiparados os Tratados de Direito Ambiental aos Tratados Internacionais de Direitos Humanos. Problema: Para cumprimento das obrigações, o Brasil criou a Lei da Política Nacional sobre Mudança do Clima, implementando o Fundo Clima, contudo, foi apurado que o Fundo Clima se manteve inoperante nos anos de 2019 e 2020, com isso, descumprindo métricas anteriormente assumidas no âmbito internacional, pela omissão Estatal. Objetivos: Foi realizada breve análise da ADPF 708 e correlacionando a problemática com os ditames constitucionais, legislação vigente e princípios ambientais ventilados pelos Ministros, com finalidade de entender os impactos do reconhecimento do caráter supranacional dos Tratados de Direito Ambiental enquadrado pelos Ministros. Métodos: Utilizando-se como método de pesquisa a técnica analítica e descritiva sendo realizada revisão narrativa de literatura, análise bibliográfica bem como da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Resultados: Com o reconhecimento do caráter supranacional dos Tratados de Direito Ambiental, ficou evidenciado que hierarquicamente os tratados ficaram apenas abaixo da Constituição Federal, estando, portanto, acima da própria Lei que institui a Política Nacional sobre Mudança do Clima, devendo suas normais e métricas serem respeitadas se sobrepondo à política nacional prevista na lei infraconstitucional. Conclusão: Sendo os Tratados Ambientais equiparados (como um gênero) aos Tratados de Direitos Humanos, encontra-se hierarquicamente apenas abaixo da Constituição Federal. A ADPF 708 demonstrou além da supralegalidade, a fundamentação dos princípios do meio ambiente sadio e vedação do retrocesso em decorrência da dignidade da pessoa humana.

Authors

Institutions

Publication Details

Journal
Revista Brasileira de Direito Constitucional
Published
2025-09-16
DOI
https://doi.org/10.62530/rbdc25p091
Primary Topic
International Environmental Law and Policies
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
Controls
|||
ALL TIME
JAN
FEB
MAR
APR
MAY
JUN
JUL
AUG
SEP
OCT
article

O Julgamento da ADPF 708 e o Status Supranacional dos Tratados de Direito Ambiental

Ricardo Maurí­cio Freire Soares, Guilherme Schmidt Hayama
Revista Brasileira de Direito Constitucional
International Environmental Law and Policies
article

O Julgamento da ADPF 708 e o Status Supranacional dos Tratados de Direito Ambiental

Ricardo Maurí­cio Freire Soares, Guilherme Schmidt Hayama
article en

Abstract

Contextualização: Diante dos acordos internacionais firmados perante os Estados, criou-se um dever de respeito ao meio ambiente, objetivando controlar as emissões de gases de efeito estufa (GEE) além de mitigar os desequilíbrios do ecossistema. O presente artigo busca apresentar de forma concisa o julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 708, no tocante ao voto e a fundamentação dos Ministros na medida em que ficaram equiparados os Tratados de Direito Ambiental aos Tratados Internacionais de Direitos Humanos. Problema: Para cumprimento das obrigações, o Brasil criou a Lei da Política Nacional sobre Mudança do Clima, implementando o Fundo Clima, contudo, foi apurado que o Fundo Clima se manteve inoperante nos anos de 2019 e 2020, com isso, descumprindo métricas anteriormente assumidas no âmbito internacional, pela omissão Estatal. Objetivos: Foi realizada breve análise da ADPF 708 e correlacionando a problemática com os ditames constitucionais, legislação vigente e princípios ambientais ventilados pelos Ministros, com finalidade de entender os impactos do reconhecimento do caráter supranacional dos Tratados de Direito Ambiental enquadrado pelos Ministros. Métodos: Utilizando-se como método de pesquisa a técnica analítica e descritiva sendo realizada revisão narrativa de literatura, análise bibliográfica bem como da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Resultados: Com o reconhecimento do caráter supranacional dos Tratados de Direito Ambiental, ficou evidenciado que hierarquicamente os tratados ficaram apenas abaixo da Constituição Federal, estando, portanto, acima da própria Lei que institui a Política Nacional sobre Mudança do Clima, devendo suas normais e métricas serem respeitadas se sobrepondo à política nacional prevista na lei infraconstitucional. Conclusão: Sendo os Tratados Ambientais equiparados (como um gênero) aos Tratados de Direitos Humanos, encontra-se hierarquicamente apenas abaixo da Constituição Federal. A ADPF 708 demonstrou além da supralegalidade, a fundamentação dos princípios do meio ambiente sadio e vedação do retrocesso em decorrência da dignidade da pessoa humana.

Revista Brasileira de Direito ConstitucionalVol. 25
Universidade Federal da Bahia (BR), Universidade Santa Cecília (BR), Hospital Ana Nery (BR)
Openalex Percentile: Top 66%
International Environmental Law and Policies
AI Navigator

Ask Laika to Summarize, Analyze, and Connect papers live on the map.

Summarize Papers & Methodologies

Extract key findings, datasets, and comparative methods across publications.

Benchmark Rankings & Visual Analytics

Rank top research institutions, authors, funders, topics, and journals by Field-Weighted Citation Impact (FWCI) and paper volume with instant charts.

Connect Distant Disciplines

Bridge topological clusters on the map to find hidden collaborative intersections.