On Plants and Regimes of Waste: Reading Djaimilia Pereira de Almeida’s A visão das plantas in Times of Systemic Collapse

Abstract: This article engages with plants and wasted lives in A visão das plantas [ The Vision of Plants ] to make sense of the role of ‘contained’ and ‘looked after’ nature as a platform for colonial governmentality and postcolonial dispossession within and beyond the Portuguese-speaking world. Examining how ‘cleaned’ and ‘natural’ environments were the condition of possibility of a system of extraction that kept the gendered and racialized bodies of the ‘cleaners’ out of sight, this essay urges for a critical redefinition of coloniality based on plants and interspecies entanglements. It analyses how domestic and physical labour was mobilized and displaced as part of a regime of accumulation that relied on a logistics of waste (including disposable and extractive nature and wasted lives) to materialize a universalist logic of value. Waste and nature, contained unruliness, and suppressed surplus, come together in Djaimilia Pereira de Almeida’s A visão das plantas , the main object of study in this piece. I explore how the journey of Celestino in the novel echoes a kind of redemption that walled natural spaces offer in Françoise Vergès’s apt reconceptualization of more-than-human regimes of waste and value. The attentiveness with which the former man-of-arms looks after the garden space reveals the underside of an anthropocenic pastoral, in which recourse to the land and the flora can be strategically managed to generate a safeguarded postcolonial amnesia. Resumo: Este artigo analisa o papel das plantas e das vidas gastas em A visão das plantas na articulação de uma discussão crítica sobre o papel da natureza ‘contida’ e ‘cuidada’ enquanto plataforma para a governabilidade colonial e a despossessão pós-colonial em e para além do mundo de língua portuguesa. Abordando como os entornos ‘limpos’ e ‘naturais’ foram a condição de possibilidade de um sistema extrativo que manteve os corpos racializados e com géneros não normativos fora da visão, este ensaio propõe uma redefinição da colonialidade baseada nas plantas e nos entrelaçamentos de múltiplas espécies. Assim, focar-me-ei em examinar como o trabalho doméstico e físico é mobilizado e deslocado enquanto parte de um regime de acumulação organizado à volta da logística do resíduo (incluindo a natureza descartável e as vidas gastas) com o objetivo de materializar uma lógica universalista do valor. Resíduo e natureza, descontrolo e contenção, excedentes suprimidos, juntam-se no romance de Djaimilia Pereira de Almeida, o principal objeto de estudo do presente artigo. No ensaio, analisar-se-á a viagem de Celestino no romance, que ecoa um tipo de redenção oferecido pela natureza contida. A atenção com que o antigo homem de guerra cuida do espaço do jardim evidencia o lado oculto de uma pastoral antropocénica, onde o uso da terra e da flora podem ser geridos estrategicamente para produzir uma amnesia pós-colonial.

Authors

Publication Details

Journal
Portuguese Studies
Published
2025-01-01
DOI
https://doi.org/10.1353/port.00023
Primary Topic
Environmental Sustainability and Education
Type
article
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article

On Plants and Regimes of Waste: Reading Djaimilia Pereira de Almeida’s A visão das plantas in Times of Systemic Collapse

Carlos Garrido Castellano
Portuguese Studies
Environmental Sustainability and Education
article

On Plants and Regimes of Waste: Reading Djaimilia Pereira de Almeida’s A visão das plantas in Times of Systemic Collapse

Carlos Garrido Castellano
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Abstract

Abstract: This article engages with plants and wasted lives in A visão das plantas [ The Vision of Plants ] to make sense of the role of ‘contained’ and ‘looked after’ nature as a platform for colonial governmentality and postcolonial dispossession within and beyond the Portuguese-speaking world. Examining how ‘cleaned’ and ‘natural’ environments were the condition of possibility of a system of extraction that kept the gendered and racialized bodies of the ‘cleaners’ out of sight, this essay urges for a critical redefinition of coloniality based on plants and interspecies entanglements. It analyses how domestic and physical labour was mobilized and displaced as part of a regime of accumulation that relied on a logistics of waste (including disposable and extractive nature and wasted lives) to materialize a universalist logic of value. Waste and nature, contained unruliness, and suppressed surplus, come together in Djaimilia Pereira de Almeida’s A visão das plantas , the main object of study in this piece. I explore how the journey of Celestino in the novel echoes a kind of redemption that walled natural spaces offer in Françoise Vergès’s apt reconceptualization of more-than-human regimes of waste and value. The attentiveness with which the former man-of-arms looks after the garden space reveals the underside of an anthropocenic pastoral, in which recourse to the land and the flora can be strategically managed to generate a safeguarded postcolonial amnesia. Resumo: Este artigo analisa o papel das plantas e das vidas gastas em A visão das plantas na articulação de uma discussão crítica sobre o papel da natureza ‘contida’ e ‘cuidada’ enquanto plataforma para a governabilidade colonial e a despossessão pós-colonial em e para além do mundo de língua portuguesa. Abordando como os entornos ‘limpos’ e ‘naturais’ foram a condição de possibilidade de um sistema extrativo que manteve os corpos racializados e com géneros não normativos fora da visão, este ensaio propõe uma redefinição da colonialidade baseada nas plantas e nos entrelaçamentos de múltiplas espécies. Assim, focar-me-ei em examinar como o trabalho doméstico e físico é mobilizado e deslocado enquanto parte de um regime de acumulação organizado à volta da logística do resíduo (incluindo a natureza descartável e as vidas gastas) com o objetivo de materializar uma lógica universalista do valor. Resíduo e natureza, descontrolo e contenção, excedentes suprimidos, juntam-se no romance de Djaimilia Pereira de Almeida, o principal objeto de estudo do presente artigo. No ensaio, analisar-se-á a viagem de Celestino no romance, que ecoa um tipo de redenção oferecido pela natureza contida. A atenção com que o antigo homem de guerra cuida do espaço do jardim evidencia o lado oculto de uma pastoral antropocénica, onde o uso da terra e da flora podem ser geridos estrategicamente para produzir uma amnesia pós-colonial.

Portuguese StudiesVol. 41(1)
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