POLIDEZ, TRABALHO DE FACE E CONSTRUÇÃO ARGUMENTATIVA NAS INTERAÇÕES DO TRIBUNAL DO JÚRI

Este trabalho tem como objetivo analisar as estratégias de polidez e o trabalho de face nas sessões do Tribunal do Júri, com foco na construção argumentativa das falas do promotor de justiça. A pesquisa fundamenta-se, principalmente, nas perspectivas teóricas de Goffman (1967), Brown e Levinson (1987 [1978]), Kerbrat-Orecchioni (2006, 2010), Marcuschi (2003) e Galembeck (1999). O corpus é composto por gravações de julgamentos realizados no plenário do Tribunal do Júri da comarca de Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, Brasil, transcritas conforme as normas de Preti (2002). As análises indicam que o uso de recursos expressivos, como entonação, relevo e marcadores discursivos, desempenha uma dupla função: por um lado, atua como meio de persuasão e de intensificação argumentativa; por outro, constitui instrumento de gerenciamento das interações e das imagens projetadas no plenário. Assim, a atuação do promotor revela um equilíbrio entre a manutenção de sua posição institucional e o manejo estratégico das relações face a face, evidenciando a articulação entre as dimensões argumentativa e interacional de seu discurso. Essas ocorrências sugerem que, em contextos institucionais, atos potencialmente ameaçadores podem ser estrategicamente mobilizados como recursos argumentativos voltados ao reforço de posições e à influência sobre o auditório.

Publication Details

Journal
Journal of Media Critiques
Published
2025-06-24
DOI
https://doi.org/10.17349/jmcv11n28-076
Primary Topic
AI in cancer detection
Type
article
Field-Weighted Citation Impact
0.00
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POLIDEZ, TRABALHO DE FACE E CONSTRUÇÃO ARGUMENTATIVA NAS INTERAÇÕES DO TRIBUNAL DO JÚRI

Journal of Media Critiques
AI in cancer detection
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POLIDEZ, TRABALHO DE FACE E CONSTRUÇÃO ARGUMENTATIVA NAS INTERAÇÕES DO TRIBUNAL DO JÚRI

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Abstract

Este trabalho tem como objetivo analisar as estratégias de polidez e o trabalho de face nas sessões do Tribunal do Júri, com foco na construção argumentativa das falas do promotor de justiça. A pesquisa fundamenta-se, principalmente, nas perspectivas teóricas de Goffman (1967), Brown e Levinson (1987 [1978]), Kerbrat-Orecchioni (2006, 2010), Marcuschi (2003) e Galembeck (1999). O corpus é composto por gravações de julgamentos realizados no plenário do Tribunal do Júri da comarca de Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, Brasil, transcritas conforme as normas de Preti (2002). As análises indicam que o uso de recursos expressivos, como entonação, relevo e marcadores discursivos, desempenha uma dupla função: por um lado, atua como meio de persuasão e de intensificação argumentativa; por outro, constitui instrumento de gerenciamento das interações e das imagens projetadas no plenário. Assim, a atuação do promotor revela um equilíbrio entre a manutenção de sua posição institucional e o manejo estratégico das relações face a face, evidenciando a articulação entre as dimensões argumentativa e interacional de seu discurso. Essas ocorrências sugerem que, em contextos institucionais, atos potencialmente ameaçadores podem ser estrategicamente mobilizados como recursos argumentativos voltados ao reforço de posições e à influência sobre o auditório.

Journal of Media CritiquesVol. 11(28)
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